08 de julho de 2026
Cultura

Preto no branco

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Parece xilogravura, mas não é. A artista pernambucana Myrna Maracajá usa tintas branca e preta para obter o efeito que encanta em qualquer suporte utilizado. Hoje à noite, ela inaugura uma exposição de pintura em cerâmica em Bauru, no Estúdio Rômulo Cavalcante (Tessutti Casa).

Nesta série, Myrna explora temas sobre a natureza, faz uma releitura dos desenhos de cordel e algumas peças com a figura de Jesus - marca em seu trabalho.

Ela utiliza cerâmica de Bauru e pintura fria (não vai ao forno). As peças são apenas enceradas para obter aparência envelhecida. “Eu trabalho com o artesanato local. Neste caso, uso a cerâmica crua e tintas branca e preta. Pinto como se pinta um quadro”, explica.

A artista, que também trabalha com ilustrações, enfatiza que seu trabalho é conceitual. “Tem muita simbologia. O branco é a luz e o preto sempre é a figura. As figuras de Jesus, por exemplo, eu uso sempre como abertura das exposições. É como se fosse um guia”, afirma.

O preto remonta à infância da artista, que ingressou no mundo da arte aos 3 anos de idade, por influência da família. Ela conta que contornava os desenhos com o preto como forma de reforçar seus pensamentos. Aos 14 anos, já negociava suas ilustrações com colegas da escola.

A releitura de cordel surgiu em 1999, quando Myrna foi convidada para ilustrar a capa de “A guerra do fim do mundo”, de Mario Vargas Llosa - que teve sua obra reeditada pela Cia. das Letras. “Cordel é falar sobre a cultura, sobre o local. Tem natureza, tem Jesus, tem pássaros, tem flores. E eu me inspirei muito em Bauru para pintar essa série”, revela.

“Eu sempre gostei de admirar os desenhos de literatura de cordel e percebia que o preto gritava sobre o branco de uma forma mágica e explosiva”, acrescenta Myrna.

A série da exposição foi pintada em Bauru, em setembro do ano passado - período em que ela passou na cidade. A pintura em cerâmica ela já trabalha há dez anos. Entretanto, a linguagem preto e branco é recente em suas obras.

“Eu não conhecia Bauru e me apaixonei pela cidade. É realmente acolhedora. Voltei e pretendo ter laços aqui, embora minha casa seja em Recife (PE) e eu passe tempos em lugares diferentes”, diz.

Myrna Maracajá é pernambucana, nascida na cidade de Timbaúba. Além das pinturas e das ilustrações, ela ministra oficinas experimentais na área de educação.

Em Recife, toca no Maracatu Nação Camaleão e faz consultoria para o bloco Pitombeira. Recentemente, participou da Bienal do Livro do Rio de Janeiro graças a ilustrações que faz para capas de livros, assinou também a capa do CD da banda Ôxe e deve em breve voltar a fazer ilustrações para os suplementos infantis do jornal Folha de S. Paulo.

• Serviço

Exposição de pintura em cerâmica de Myrna Maracajá, hoje, a partir das 20h, e de amanhã ao dia 18, das 10 às 22h, no Estúdio Rômulo Cavalcante (Tessutti Casa). O endereço é rua Alfredo Fontão, 2-49. Outras informações podem ser obtidas no site www.maracaja.art.br ou pelo telefone (14) 3227-0585.