O ex-prefeito Nilson Costa afirmou ontem que o seu sucessor, Tuga Angerami (PDT), não deve cogitar a demolição da ponte Ayrton Senna, que liga o Núcleo Mary Dota ao Distrito Industrial 1. Segundo ele, o projeto técnico de reforma e os laudos periciais apontam que a recuperação da passagem é totalmente viável. A obra está interditada ao tráfego desde janeiro de 2003 devido a problemas estruturais.
Tuga não descarta refazer a construção e vai se reunir, no dia 22, com engenheiros, especialistas e acadêmicos do setor para definir qual será o futuro da ponte. Representantes do segmento da construção civil informaram extra-oficialmente ao prefeito que a estrutura voltaria a apresentar problemas daqui a cinco ou sete anos caso o projeto de recuperação atual fosse mantido.
Nilson garante que essas informações estão equivocadas. “Nós ficamos quase dois anos reformando a ponte rigorosamente dentro da orientação do Poder Judiciário por meio de peritos designados para acompanhar e opinar sobre a obra. Na última etapa, os funcionários da Secretaria Municipal de Obras trabalharam nos alicerces da estrutura durante dois meses e hoje ela está devidamente escorada”, argumenta.
O ex-prefeito afirma que não há possibilidade da ponte apresentar rachaduras novamente. “Toda a área técnica que opinou sobre os serviços foi unânime em dizer que ela é segura. Se ela for demolida, levará muito tempo para fazer um novo estudo técnico e promover outra licitação. Voltaremos à estaca zero”, observa.
O ex-secretário municipal de Obras, José Ângelo Padovan, que acompanhou a última fase de recuperação da ponte, no segundo semestre do ano passado, também avalia que a estrutura estará apta a receber o tráfego de veículos após a conclusão do aterro nas cabeceiras. “Ninguém faria uma reforma dessa para durar cinco ou sete anos”, argumenta.
Segundo ele, as obras foram feitas de acordo com as exigências feitas pela empresa Albiero Projetos e Construções Ltda, contratada para elaborar o estudo de recuperação. “Embora o problema verificado fosse na viga superior, nós colocamos estacas adicionais para reforçar a estrutura. A obra foi acompanhada por engenheiros da prefeitura e da Unesp (Universidade Estadual Paulista)”, comenta.
Valores
A ponte foi construída pela Tofer Engenharia e custou R$ 217.472,33. A maior parte dos recursos veio da União, a partir de emenda ao Orçamento de autoria do então deputado federal Tuga Angerami. Um levantamento da Procuradoria Jurídica Municipal aponta que foram investidos outros R$ 258 mil na reforma.
Para que a passagem seja liberada, há a necessidade da implantação de aterro envelopado, que consiste na instalação de camadas de tela sintética para diminuir o impacto que o peso da terra terá sobre a estrutura. O material está orçado em cerca de R$ 272 mil.
Uma ação popular de autoria do vereador Toninho Garmes (PSDB) tramita na 1.ª Vara Cível do Fórum local propondo o ressarcimento dos valores investidos até o momento.
Para Nilson Costa, a ponte não deve ser encarada como a obra que mais gerou prejuízos ao município. “A nossa prestação da dívida federalizada do viaduto inacabado corresponde a uma ponte Ayrton Senna por mês”, compara.