10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Política do urubu em Bauru


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Dizia-me um dia um poeta: “O urubu me impressiona, pois ele conhece as delícias do céu e a podridão da terra”. Como seria delicioso voar, sentir-se livre e, acima de tudo, poder sobreviver da podridão dos seres que habitam (ou habitavam) a terra dos mortais? Infelizmente, este não é apenas um sonho poético. A realidade é que mais uma vez vamos presenciar na cidade de Bauru uma ação política em que mostra que aqui é, sim, a cidade “sem limites”. Sem limites para se roubar a noite boêmia dos cidadãos bauruenses que ‘nada tem haver’ com a incapacidade do poder público de conter a violência noturna.

Agora, vemos mais um ato contraditório da Câmara Municipal, especificamente do vereador João Parreira, que afirma defender a educação, mas, na verdade, pretende desintegrar a EE Rodrigues de Abreu, auxiliando no sucateamento do sistema de ensino que, há anos, sucumbe com políticas de contenção de gastos.

O que mais questiono como cidadão e educador é: que valores possuímos quando contemos gastos na educação, erradicando escolas organizadas de cidadãos livres, como a EE Rodrigues de Abreu, e favorecemos a construção de 41 novas unidades de infratores da Febem até o final de 2005? Lamento que a cidade esteja sem limites. Lamento, também, a omissão dos dirigentes da educação de Bauru aceitando tal coerção de valores, mas... que tal todos os jovens irem para as Febens? Certamente, seriam melhor vistos pela “política do urubu” da cidade de Bauru.

Sérgio da Costa Bortolim - professor de filosofia - RG 30.967.255-7