O emprego, além de fonte de renda para os gastos pessoais do encarcerado e sustento de sua família, ajuda a elevar a auto-estima. Porém, Denise Velloso Peres, gerente regional da Fundação de Amparo ao Preso (Funap) em Bauru, avalia que educação escolar e profissionalização são mais importantes que trabalho.
“Com o desemprego, que atinge toda a sociedade, como o preso vai conseguir trabalhar quando conseguir a liberdade se não estiver capacitado?”, questiona. Por isso, o objetivo da Funap, que há dois anos tem uma regional em Bauru, é oferecer cursos de geração de renda e alfabetização, ensino fundamental e médio para os detentos.
“Estamos investindo na melhoria das escolas dos presídios e na capacitação de monitores para dar aulas nos presídios, inclusive detentos. Queremos melhorar a auto-estima do preso, que ao ensinar os colegas vai sentir-se capaz, e esperamos que isso se irradie aos colegas”, comenta.
Paralelamente, a Funap está tentando viabilizar cursos de geração de renda, para que os presos não dependam apenas de empresas para trabalhar, explica Peres. “E para isso estamos abertos a parcerias com universidades e a sociedade em geral”, frisa.
A Funap planeja abrir uma cooperativa de trabalho formada por egressos dos presídios e seus familiares. “Os artesanatos feitos por eles, como cestarias e trabalhos em crochê, poderiam suprir floriculturas, por exemplo”, opina Peres.
Concorda com ela José Carlos Pedroso, diretor da P1 de Bauru. Ele, que assumiu a direção da unidade há três meses, quer zerar o analfabetismo e fazer parcerias com a sociedade para levar curso profissionalizante aos detentos da unidade.
Em Pirajuí, a Funap matém fábrica de carteiras escolares, que são vendidas para o governo do Estado.
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Alternativa
O promotor das Execuções Criminais Jerônymo Crepaldi Júnior acredita que o preso precisa tanto de emprego quanto de instrução e profissionalização. Como saída para absorver a mão-de-obra carcerária, ele sugere a abertura de frentes de trabalho pelo poder público.
Uma das possibilidades cogitada por Crepaldi Júnior, para os detentos do semi-aberto, é a recuperação de ruas. Já os presos do regime fechado poderiam trabalhar na fabricação de blocos para pavimentação, atividade que começa a ser desenvolvida no IPA em parceria com a Prefeitura de Bauru. Os reeducandos estão produzindo bloquetes sextavados para as ruas do Núcleo 9 de Julho.