Esta história me foi contada quando eu era repórter de televisão em Dourados, Mato Grosso do Sul. O senador Rachid Saldanha Derzi, já falecido, fazia campanha política pelo interior do Estado, quando chegou a uma cidadezinha, onde acontecia um velório. Político populista, estilo Paulo Maluf, ele costumava guardar na memória nomes dos seus eleitores ilustres e correligionários.
Tão logo entrou na casa, foi cumprimentando uma a uma as pessoas que ali estavam, sempre falando em voz alta e chamando alguns pelo nome. Em dado momento dirigiu-se a um dos moradores da casa e perguntou; - E aí fulano, tudo bem?
O rapaz meio sem jeito, falando em voz baixa, respondeu: - tudo bem, senador, dentro do possível. Ainda em tom de campanha eleitoral, o senador voltou-se para o rapaz:- E o teu pai, o beltrano, faz tempo que não o vejo, como ele está?
Ao que o rapaz respondeu ainda mais encabulado: - disfarça, senador, fale baixo, meu pai morreu ontem e é o corpo dele que estamos velando. O senador titubeou por alguns segundos, mas saiu-se com essa:- o que? Seu pai morreu? Morreu pra você, que é um filho ingrato, para mim ele continua vivo, muito vivo, no meu coração...
Contada pelo jornalista Ademir Elias