08 de julho de 2026
Ser

Quando a paixão se transforma em amor

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 2 min

Segundo estudos, o amor aciona duas das regiões mais profundas do cérebro, o núcleo caudade e a área tegmentar ventral.

Elas são responsáveis também pelo prazer provocado por uma recompensa, como beber um copo de água quando se está com sede, quando se mata a fome ou ainda pela satisfação experimentada por um dependente químico ao consumir drogas.

Cientistas explicam que o amor apaixonado pode fazer o coração bater mais rápido, a pressão arterial subir, a pupila dilatar, a temperatura subir bruscamente, o estômago apertar e as mãos tremerem.

“A atração física é gerada por questões hormonais. Na paixão, há um aumento da serotonina do cérebro. O olhar, o jeito e a linguagem da pessoa muda. Por isso os apaixonados priorizam muito mais a sexualidade do que a relação afetiva”, explica o psicólogo José Luís Cremonesi, psicodramaticista e especialista em terapia de casais e família.

Porém, por uma questão de preservação da espécie, o ser humano não foi feito para viver constantemente apaixonado. “Ele idealiza no outro aquilo que ela considera perfeito. À medida que vai se relacionando, pode acordar desse sonho e perceber que o outro não corresponde à realidade porque a parceira começa a reagir diferente de sua projeção”, diz Cremonesi.

Estima-se, de acordo com pesquisas, que a paixão dure no máximo dois anos. Depois desse período, a euforia pode acabar e provocar a separação do casal ou se transformar num relacionamento de amor mais maduro, aponta o psicólogo.

“A paixão pode acabar se transformando em amor se as pessoas souberem amadurecer juntas. A paixão tem muito mais a ver com egocentrismo. O amor exige um processo de aceitação do outro”, diz Cremonesi.

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Maturidade

Para o psicólogo José Luís Cremonesi, a questão do namoro está ligada à maturidade. “É preciso avaliar cada caso, mas de uma forma geral, os rapazes que querem namorar já passaram pela experiência do ‘ficar’, que indica uma fase de descoberta e experimentação”, aponta.

Além da maturação pessoal, a formação familiar também exerce papel fundamental nesse comportamento. “A maneira como o rapaz foi educado e a forma como ele percebe os modelos de pai e mãe e de casal interferem nesse cenário”, diz.

É o caso de Vinicius, o estudante cuja história foi descrita anteriormente, que tem o desejo de repetir o modelo familiar vivido pelos seus pais, casados há mais de duas décadas. “Não estou namorando porque não achei a pessoa certa ainda. Mas não perdi as esperanças, tenho até um presentinho em forma de coração no carro, no caso de achar a mulher dos meus sonhos numa balada”, brinca.

Se depender da torcida de Vinicius, o Dia dos Namorados terá um número cada vez maior de apaixonados interessados em comemorá-lo.