09 de julho de 2026
Regional

Internato de Jaú não aceita mulheres

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

A Escola Técnica Agrícola Estadual de 2º grau Professor Urias Ferreira fica fora da cidade, na estrada que liga Jaú a Bariri. Sua localização coopera para o desespero dos alunos na fase de adaptação. Acostumados a estudar com meninas, os alunos vivem num verdadeiro clube do “bolinha” na Urias Ferreira. Mulher na escola, só as professoras.

O aluno Marlon Miguel Martins de Morais, 17 anos, marinheiro de primeira viagem, nunca tinha saído de casa antes e explica que na fase de adaptação passou momentos difíceis. “Sentia falta de todos, mas especialmente de minha mãe e minhas amigas.”

A figura feminina ‘encarnada’ nas professoras ganha um novo papel quando a situação é de extrema necessidade, conta a assistente técnica de direção, Leda Aparecida Módolo Broio. “Aqui, os professores passam a ser confidentes. Os alunos nos procuram para falar de seus problemas. As professoras representam as mães e os professores os pais.”

O diretor da escola, João Erasmo Berchol da Silva, confirma. “Alguns têm problemas familiares ou pessoais e nos procuram para confidenciar. Estamos acostumados a ouvir e a aconselhar. Somos paizões. Eles querem desabafar.”

Com o advento do telefone celular, a comunicação entre estudante, família e amigas foi facilitada. “Na escola tem telefone, que eles podem usar duas vezes ao dia, mas alguns já estão chegando com o celular. Com o aparelho, ele liga quando quiser.”

Os alunos vindos de famílias mais abastadas trazem o carro. “São poucos os que chegam com carro, mesmo porque eles ingressam aqui normalmente com 15 anos.”

O acesso as informações eletrônicas pode ser feito na sala de informática. “Temos ainda uma sala de TV coletiva e cada um pode levar para o seu quarto um aparelho de televisão, desde que não incomode seus companheiros de quarto.”

De segunda a sexta-feira

Na escola técnica de Jaú (47 quilômetros a leste de Bauru) são 180 alunos residentes (uma nova nomenclatura dada para aqueles que permanecem na escola de segunda a sexta-feira. “No final de semana eles vão para suas casas. Não podem perder o contato com a família. Nossa clientela é da região de Araraquara”, comenta o diretor.

Ele explica que a maioria dos alunos são de classe social menos abastada e não teriam condições de pagar transporte diariamente. “Claro que tem as exceções, temos alunos filhos de fazendeiros, mas são a minoria.”

O preço pelo ‘internato’ ou residente é bastante atraente para quem não pode gastar muito.

“Eles pagam R$ 60,00 mensais para aquisição de alimentos que não são produzidos aqui. Neste valor está incluído o seguro-acidente. A administração das residências é feita por uma comissão. A escola é mantida pelo Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza.