Referindo-me à matéria de Ronaldo Schiavone “Mudanças na Saúde começarão este mês†(JC, pag.4, 09/06) e após haver visto a gravação da mesma matéria pela televisão, deduzo que o sindicalista Jesus Garcia, por puro despreparo ou mau uso da retórica (o presidente Lula também procede assim freqüentemente), utilizou indevidamente a expressão “massa de manobra†(sic) ao referir-se à Câmara Municipal de Bauru como um todo. Há certas expressões que cabem muito bem numa assembléia de sindicato classista, mas que não devem e nem podem, sequer, serem aventadas numa reunião no recinto-sede de qualquer poder legislativo.
O sr. Jesus há de convir, tenho certeza, que, se há maus elementos entre os funcionários e a edilidade (posto que ele se referiu à Câmara Municipal, sem especificar quem ou qual departamento, elemento ou vereador), há, também, nas duas categorias citadas, ótimos e exemplares elementos. Ademais, é bom frisar que qualquer generalização é sempre perigosa mesmo porque, conforme Nelson Rodrigues, “toda unanimidade é burraâ€!
Convenhamos, todavia, que a reação espalhafatosa e até aberrante do vereador Paulo Madureira foi, no mínimo, exagerada e deselegante, mesmo porque se Sua Excelência, o vereador, não se considera merecedor da analogia apontada pelo sindicalista, que talvez não tenha o dom da oratória e a verve (!) do edil, não haveria porque, posto que não lhe caberia a carapuça, a reação indelicada e nada exemplar para quem pretende representar (e, aliás, representa) uma grande parcela de eleitores desta “terra de espantosâ€! Muitas vezes, se o discurso é prata, o silêncio é ouro.
Esteja certo, ilustre vereador Madureira, que tanto já fez por Bauru, que o seu silêncio não seria interpretado pela maioria dos nossos municípes, como um consentimento... tácito! Nem sempre quem cala consente! Do leitor João Guilherme Ortolan - RG-10.938.473-SSP-SP.