11 de julho de 2026
Política

Plano Diretor Participativo faz 1ª reunião

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O futuro do distrito de Tibiriçá foi discutido ontem na primeira reunião do Plano Diretor Participativo da Prefeitura de Bauru. Comunidade e técnicos tentam fazer uma radiografia do distrito, apontando os pontos positivos e negativos para direcionar o trabalho da Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan).

O distrito foi o escolhido para início das discussões por englobar aspectos urbanos e rurais, conforme explica a coordenadora do plano, a arquiteta Maria Helena Rigitano. Ela afirma que há questões importantes a serem discutidas com a população. “A questão da mobilidade é uma delas. Quais os problemas que eles têm de circulação? Como fazem o escoamento da produção? Como o filho vai para a escola? Como fazem compras? As dificuldades que ele têm, os problemas ambientais, especialmente os de erosão”, enumera.

As discussões darão suporte para o Poder Público tomar decisões de planejamento da cidade. “Sabendo o que eles querem, sonham e precisam, podemos direcionar os trabalhos”, diz Rigitano.

São abordadas com a comunidade questões como expansão urbana. “Tibiriçá é um local sossegado. Mas será que é isso que a população quer? Há pedidos de loteamentos para Tibiriçá, mas se for o desejo da população, a expansão será restringida. Ao contrário, vamos autorizar, mas temos que discutir se isso vai melhorar ou piorar a vida dos moradores”, comenta Rigitano.

As discussões do Plano Diretor Participativo também serão feitas nos bairros de Bauru. O Estatuto da Cidade, lei de 2001, propõe que o Plano Diretor ouça a população antes de traçar planos, explica Rigitano. “Foram feitas audiências públicas na Câmara no ano passado e nas Regionais Administrativas. O Ministério das Cidades publicou recentemente uma resolução que dita a maneira como deve ser feita essa consulta. Nós estamos seguindo a norma”, ressalta.

A coordenadora do Plano Diretor diz que a população ainda resiste em discutir porque não está acostumada a ser ouvida. “Fizemos um convite e distribuímos alguns cartazes chamando a população a participar. Alguns atenderam o chamamento e, se preciso for, faremos outras discussões”, adianta.

Morador de Tibiriçá, Sebastião Marcolino dos Santos compareceu à reunião para discutir o horário de funcionamento do posto de saúde. “Somos bem atendidos, porém gostaria que o atendimento médico se estendesse até a noite. Aqui tem muitos idosos. Eu sou cardíaco e já fui muitas vezes para o pronto-socorro em Bauru. Se tivesse atendimento aqui, facilitaria para a gente”.

Depois da reunião em Tibiriçá com a comunidade, equipes de diversas secretarias farão pesquisas que envolvem 50 itens como a história do distrito, número de habitantes, de estudantes, população canina, mercado de trabalho. As próximas reuniões serão realizadas em Barra Grande e Rio Verde. O prazo para a aprovação do Plano Diretor pela Câmara Municipal é outubro de 2006. A meta é encaminhar o projeto até janeiro do ano que vem.

De casa em casa

O sub-prefeito de Tibiriçá, Edison Cavalieri, comentou ontem que a primeira chamada para a reunião de discussão do Plano Diretor foi feita de porta em porta. “Eu estive, inclusive nas propriedades rurais, porque entendo que a discussão é de suma importância para o futuro do distrito. Avisei que as decisões não são imediatas, mas a longo prazo”, relata.

Ele aponta três problemas enfrentados por Tibiriçá que ele acredita que a população vai levantar: a recuperação das estradas vicinais, a falta de médicos e a falta de assistente social.

Na opinião de Cavalieri, Tibiriçá ficou esquecida durante sete anos. “Em função disso, a população acaba desconfiando quando a gente faz um convite para discutir os problemas”, avalia.