A mudança ontem no esquema de atendimento no posto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) gerou filas e reclamações na unidade da rua Azarias Leite, que hoje entra em seu 15º dia de greve.
Antes da paralisação, iniciada em 2 de junho, a triagem dos segurados era feita no interior da agência, com espera em poltronas acolchoadas e longe do calor. Desde ontem, quem procurou os serviços sem pré-agendamento teve seu caso avaliado no lado de fora da unidade. A mudança, porém, de acordo com a chefe do posto, Regina Gonzales, tinha como objetivo evitar confrontos com segurados.
O problema, de acordo com Gonzales, é que nesta semana o número de pessoas que procuram os serviços aumentou, praticamente se igualando ao período anterior à greve. Os resultados foram fila e muita reclamação, além da ansiedade diante da espera e da incerteza em relação ao atendimento, que durante a paralisação está sendo feito em horário reduzido (das 7h30 às 11h).
Entre as pessoas que procuraram o posto ontem estava a diarista Rosari Rodrigues da Rocha, 44 anos, que veio de Agudos acompanhada da nora Cirlei Aparecida Correia, 19 anos, para requerer pensão por invalidez.
“Meu médico diz que não poderia mais trabalhar, por causa dos efeitos do tratamento que fiz contra câncer. Estou passando por situação financeira difícil. Dois dos meus quatro filhos dependem do que ganho”, contou Rocha, que aguardava ansiosa pelo atendimento a 45 minutos para o fechamento do posto. “Deus me ajude”, pedia.
Afastada do trabalho por problemas de saúde, a educadora Izabel Fátima Freitas também procurou o INSS para requerer o auxílio-doença da Previdência Social. Ela chegou às 9h30 e à sua frente havia pelo menos mais 50 pessoas na fila.
De acordo com o gerente-executivo do órgão em Bauru, Josué Lopes Moreira, quem requereu aposentadoria ou pensão por morte ontem terá de aguardar até o dia 10 de julho para retornar ao posto da Previdência Social. “A espera pode chegar até cinco meses caso a greve se prolongue por muito tempo”, explicou.
Com o funcionamento limitado, Gonzales diz que estão sendo pré-agendados apenas de 12 a 15 requerimentos de aposentadoria para atendimento diário. Mesmo com a greve, a agência mantém estável o número de benefícios protocolados diariamente. De janeiro a maio, dividindo-se os 1.534 requerimentos que não dependem de avaliação médica protocolados nos 103 dias úteis do período, a média foi de 15 atendimentos diários. Nos dez dias úteis de greve foram registrados 123 requerimentos dos mesmos benefícios, resultando na média de 12 protocolos por dia.
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Justiça
Hoje, o sindicato da categoria (Sinsprev) deve recorrer à Justiça contra a multa imposta pela juíza da 3ª Vara Federal de São Paulo, Maria Lúcia Lencastre Ursaia, que obriga o funcionamento das agências do INSS com 60% dos funcionários federais ou pagamento de R$ 10 mil por cada dia de descumprimento da decisão. A ordem judicial passou a valer desde anteontem.
Representante do sindicato, José Aparecido Antunes acrescenta que amanhã deve ocorrer uma assembléia da categoria para avaliação da greve por tempo indeterminado. Ele garante que o movimento tem 70% de adesão no Interior do Estado. Na agência da Azarias Leite, segundo a chefe do posto do INSS, Regina Gonzales, apenas 25% dos funcionários dos 52 servidores aderiram à greve.