O lutador de kung fu Marcelo Yamada, de 19 anos, venceu o 1º Sul-americano de Wushu (modalidade olímpica do kung fu) em Buenos Aires, Argentina. Integrante da Seleção Brasileira, Yamada disputou na categoria Nangun, em que o atleta se exibe com o bastão. Ele superou 11 adversários para conquistar a medalha numa competição realizada de 10 a 12 deste mês.
Ele aguarda novas convocações do técnico da Seleção, Thomaz Chan, que podem garantir sua presença nas Olimpíadas de Pequim 2008, quando a modalidade esportiva estará presente. Yamada ressalta que falta definir se em Pequim o Kung Fu será apenas demonstração ou já irá valer competição por medalhas.
Ele pratica Kung Fu há dez anos pela equipe bauruense Garra de Tigre e é atleta da Federação Paulista e da Confederação Brasileira Kung Fu. Atualmente se prepara para passar de instrutor para professor com uma avaliação que deve ocorrer ainda este ano.
A arte marcial do kung fu está presente na família Yamada. Sérgio, pai de Marcelo, é um dos entusiastas. O lutador comenta que o interesse surgiu quando o pai passou a mostrar vídeos com filmes de Kung Fu, que atraíram sua atenção para a modalidade esportiva. Sua performance de competidor há nove anos estimulou o irmão Marcos, de 17 anos, a praticar o mesmo esporte.
O diretor da escola Senai em Bauru, Reinaldo Teixeira Munhoz, diz que o potencial de Yamada foi percebido no Senai. Ele é ex-aluno da escola técnica, onde cursou mecânica automotiva a partir de 2001. Ao encerrar os estudos de dois anos, Yamada havia conseguido montar uma turma de Kung Fu com alunos do Senai e da comunidade. Munhoz mantém o grupo no Senai.
O diretor da escola conta que antes as aulas aconteciam no espaço da quadra, agora transformado em Gráfica. Depois passaram para o auditório, que deixou de ser utilizado pelos lutadores após instalação de cadeiras fixas. Munhoz continua a manter o grupo mobilizado e procura novo espaço para os treinamentos.
O diretor conseguiu apoio da iniciativa privada para custear os R$ 1.500,00 com despesas de passagem de avião, alimentação e hospedagem durante quatro dias em que Yamada permaneceu na Argentina.
O empresário Marco Antônio Dal Médico, que atua no setor madeireiro em Bauru e Marília, investiu os recursos para a viagem do lutador bauruense. Dal Médico diz que Bauru tem potencial em diversas modalidades esportivas mas falta mecanismos que impulsionem os talentos.
Munhoz diz que a articulação, como a que possibilitou a viagem de Yamada, é papel da escola como incentivadora das competências dos estudantes. Ele acrescenta que o trabalho do Senai é voltado para o ensino profissionalizante. Porém, o diretor da escola tem como diretriz integrar a instituição com a comunidade.
Dal Médico diz que o retorno virá em forma de conquistas que Yamada pode trazer para Bauru. Ele é pai de Tiago Azevedo Dal Médico, que disputou competições de natação durante dez anos. Seu filho competiu pela equipe Unimed-Prata. Ele acrescenta que essa experiência com o filho competidor foi fundamental para investir agora no lutador de Kung Fu.