Um adolescente de 15 anos foi alvo de sete tiros na noite de anteontem durante tentativa de homicídio registrada numa casa abandonada localizada na quadra 11 da rua D’Anún-cio Cammarosano, no Parque São João. Além dele, mais duas pessoas foram atingidas pelos disparos.
De acordo com os relatos de testemunhas, eles integravam uma roda de bate-papo composta por pelo menos seis pessoas. Por volta das 23h40, três homens encapuzados se aproximaram do grupo, disparando em direção ao menor. Ele recebeu sete tiros, dois atingiram o peito e os demais a barriga, pernas e braço. Natalia Gabriela Rodrigues dos Santos, 20 anos, foi alvejada em um dos pés e o vendedor Fábio Luiz Pereira, 21 anos, foi ferido na coxa.
O adolescente, cujo nome está sendo preservado como determina o Estatuto da Criança e do Adolescente, foi internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital de Base em estado grave. No início da noite de ontem, a reportagem apurou que seu estado de saúde era regular. As outras duas pessoas foram medicadas no Pronto-Socorro Central e liberadas em seguida.
Depois do crime, os autores dos disparos fugiram a pé em direção ao Núcleo Joaquim Guilherme. As armas utilizadas na tentativa de homicídio não foram localizadas pela polícia. Os relatos das testemunhas apontam que dois dos três envolvidos estariam armados.
Durante todo o dia, os investigadores da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru realizaram diligências na tentativa de identificar e capturar os suspeitos da ocorrência. O delegado titular da DIG, J.J. Cardia, preferiu não dar detalhes para não atrapalhar a condução das investigações sobre o caso.
Segundo o comandante da Base Comunitária de Segurança Oeste, tenente Paulo César Valentim, dois suspeitos de participação no crime já teriam sido identificados a partir de denúncias anônimas e viaturas da Força Tática estariam tentando localizá-los na região compreendida entre o Parque São João e Núcleo Joaquim Guilherme. “Os dois são conhecidos da polícia”, afirma o policial.
De acordo com Valentim, o menor já teve problemas com a Justiça. Outro rapaz que estaria na roda de bate-papo seria conhecido da polícia, segundo o comandante. Por ter escapado dos tiros, sua identificação foi preservada.
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Abandono
Os disparos registrados anteontem à noite foram ouvidos pela vizinhança da rua D’Anúncio Cammarosano, mas ninguém quis comentar o fato com medo de represálias. Casas abandonadas, como a que foi cenário do crime, são um dos principais problemas dos núcleos habitacionais, na opinião do tenente Paulo César Valentim, comandante da Base Comunitária de Segurança Oeste. “É um fator que facilita a ação da criminalidade”, aponta o policial.
O abandono de moradias também é verificado na região englobada pelos bairros Parque São João, Jardim Celina, Parque Viaduto e Núcleo Joaquim Guilherme até a divisa com Alto Paraíso. O comandante diz estar tentando levantar o número de imóveis abandonados com as associações de moradores.
Outros problemas envolvem a falta de asfalto e iluminação precária nas ruas, fatores que dificultam o acesso do policiamento, principalmente de viaturas. Valentim cita que a ausência de aparelhos públicos de lazer, tais como quadras esportivas e praças, acaba levando as pessoas a utilizarem casas abandonadas como pontos de encontro.