08 de julho de 2026
Auto Mercado

Eles amam o Fusca

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

O Fusca é um fenômeno tão grande que não é difícil encontrar alguém que tenha uma história para contar sobre o “carrinho” que alterou hábitos, criou costumes e influenciou a vida de milhares de brasileiros. Um deles é o representante comercial bauruense Sérgio Antunes de Oliveira, possuidor de uma relação de décadas com o “besouro”.

Ele é dono de dois Fuscas, ambos 1968 e de conservação impecável, e como é membro do Clube de Carros Antigos do Centro Oeste Paulista possui outros veículos. Entretanto, os “fusquinhas” ocupam lugar especial na garagem e, principalmente, no coração.

Isso porque o primeiro adquirido por Oliveira, em 1972, foi um presente para o pai, Lázaro Antunes de Oliveira, que o guarda até hoje. Já o segundo, um “branquinho”, foi comprado em 1979 para tornar-se o carro da família. “Na época, eram os automóveis financeiramente mais acessíveis para nossas possibilidades e, desde então, nunca mais nos desfizemos deles, que praticamente criaram minha família”, considera o representante comercial. Para ele, o Fusca nunca acabará porque é um dos carros mais queridos do País. “Atualmente, ninguém está mais o destruindo. Pelo contrário, está até mais valorizado no mercado”, sustenta Oliveira.

Outro “fã” do Fusca é o podólogo e vigilante bauruense Helenaldo da Silva Rodrigues, que já teve um 1975 e atualmente, junto com sua noiva, é dono de um de 1973 que é seu “xodó”. Com “dor no coração”, ele precisou vender o primeiro para reunir recursos a fim de montar sua clínica e o segundo ainda não se desfez. “Só farei isso se precisar muito. Mas pode ter certeza que logo compro outro para equipá-lo”, garante.

Rodrigues é cuidadoso e, muito, mas muito, ciumento com o “fusquinha”. Além de limpá-lo sempre que pode nas horas vagas do serviço, não deixa ninguém dirigi-lo e fica “fulo da vida” quando alguém bate a porta e o capô com força. “Se for para fazer isso, é melhor deixar que eu fecho”, ressalta. E acrescenta: “Minha noiva não gosta de guiá-lo, pois reclama que o Fusca é meio duro e não tem porta-malas. Mas gosto demais dele, pois para mim Fusca não anda, desfila.”

Tanto carinho com o automóvel tem justificativa. O Fusca de Rodrigues realmente chama a atenção por onde passa pelo estado impecável de conservação. Por fora, além da cor amarela, chamam a atenção os brilhos dos componentes cromados-pára-choques, retroviso-res, calotas, limpadores de pára-brisa e soleiras. Já no interior, destacam-se a mescla dos tons amarelo e branco nos tecidos dos bancos e nos papelões de porta, além do volante e câmbio esportivos. “O Fusca chama atenção e tem sempre alguém olhando. Onde ele pára, a roda fecha”, garante.