“O impacto deformador da corrupção de políticos escandaliza o povo, desestimula a virtude e fomenta o cinismo na juventude.” (Dom Cláudio Hummes)
Diante da enxurrada de denúncias e do indício inconteste de corrupção em todos nos níveis da nossa sociedade, principalmente na esfera política, esperava-se uma posição firme e definitiva do nosso presidente Lula. Não é o que estamos vendo e nem o que gostaríamos que acontecesse nos bastidores do Palácio do Planalto. Por quê?
Por que Lula está preso à base de apoio político que o ajudou a eleger-se em 2002?. Desde que foi eleito Lula vem perdendo o apoio sistemático de figuras históricas que ajudaram na fundação do PT, bem como de aliados de outros partidos. O PMDB, o PPS e outros partidos já começaram a debandada mesmo antes dessa fase difícil em que se encontram o governo e o PT.
Mas qual a saída para o presidente e sua base de sustentação política em Brasília?. Existem saídas?. A meu ver, só existem duas alternativas diante do imbróglio em que se meteram os nossos políticos.
A primeira alternativa, talvez a mais cômoda e sempre utilizada, seria a de deixar os fatos caírem no esquecimento, com as investigações a cargo do próprio congresso e o tempo como aliado para que o povão esquecesse de tudo em algumas semanas.
A segunda alternativa, que julgo ser a mais correta, seria a de demitir todos os ministros, todos os demais empregados em cargo de comissão no governo e nas empresas estatais federais, bancos, fundações, autarquias enfim, fazer com que sejam devolvidos ao país todos os cargos que foram preenchidos pelo sistema de QI (Quem Indicou) e não pela comprovada capacidade técnica e administrativa dos nomeados, com raras exceções.
Em seguida, ou melhor, imediatamente, Lula deveria nomear seu novo ministério, que obrigatoriamente deveria ser à prova de quaisquer consultas ou suspeitas. Um ministério blindado pela ética, honestidade e capacidade de seus indicados. A maior mudança ocorreria na forma de preenchimento dos cargos de confiança. Nesse caso, Lula iria informar a nação em rede nacional que todos os cargos seriam supridos através de concurso público.
Parece um surto de utopia ou até de loucura, mas é a única forma de acabarmos com essa possibilidade de termos barganha entre os candidatos eleitos e sua base indefectível de sustentação política. Pois o apoio seria ideológico e não o tradicional fisiologismo de troca de votos pelos cargos loteados após a posse.
Claro que inúmeras vozes iriam se levantar contra essas medidas drásticas. Claro que muitos iriam argumentar mil e uma razões para condenar essa proposta. Mas e daí? Não podemos continuar assistindo à derrocada das nossas instituições democráticas de forma impassível sem que nenhuma medida severa seja colocada em prática doa a quem doer.
Quem seriam os prejudicados? O povo e a sociedade com certeza não o seriam pois entre os milhões de desempregados e aposentados do setor público e privado existem centenas de milhares de profissionais capazes de ocuparem essas funções com ética e honestidade.
Claro que a transição pode ser feita por etapas, com um planejamento que permita substituir todos os cargos sem que houvesse descontinuidade das atividades mais importantes. Essa medida somada ao fim da impunidade e da queda de algumas leis que beneficiam apenas os infratores seria o início de uma nova era em nosso país.
Não fazê-lo é querer entrar para a história como mais um político que um dia ocupou o cargo mais importante da nação e nada fez para contribuir com a democracia brasileira. E desses nós já estamos cheios. Portanto, cabe a Lula escolher a forma como gostaria de ser analisado pela posteridade.
Rafael Moia Filho