Pode parecer piada, mas sinônimo de imprudência no trânsito, em Bauru, agora é passar pelo “sinal verde” sem olhar para os lados. Sim, é incrível, mas o sinal que, simbolicamente, significaria a segurança, torna-se o motivo de tantos acidentes nos cruzamentos de nossa cidade. Em contrapartida, o “amarelo” significa “acelerar muito” e, o vermelho, “acelerar muito mais e buzinar”. Devo estar desatualizado, pois minhas aulas de direção não ensinaram essas regras.
O interessante é que, conquanto São Paulo tenha dez vezes mais veículos e seja quase dez vezes maior que Bauru, temos pouco menos que a metade do número de semáforos existentes naquela cidade. Existe uma regra de mercado que ensina que tudo aquilo que existe em excesso tende a perder o valor. E é exatamente isso o que ocorre em Bauru: temos muitos, muitos semáforos. Intriga-me é ver que, diante dos “inevitáveis” acidentes semanais nos cruzamentos, logo vem a Emdurb e coloca outro na quadra anterior. Intriga-me é a inércia - ou será que “inépcia” seria um termo mais apropriado - da Emdurb (DSV) em tentar solucionar tamanho impasse, muito embora a própria PM já tenha sugerido a colocação de dispositivos fotográficos que poderiam impor respeito ao (muito) caro sinaleiro. Para vencer a índole infratora do brasileiro, poder-se-ia começar a pensar em dispositivos fotográficos que autuassem quem ultrapassar o sinal vermelho, pois apenas a punição severa (no bolso) dos infratores culminará com o término da habitual prática bauruense.
Lamentavelmente, os dois últimos acidentes graves em cruzamentos, distantes cinco dias um do outro, resultaram em duas mortes e outros feridos graves, além do expressivo dano material. Semanalmente, são diversos que se repetem pela cidade afora. Será muito difícil fazer os responsáveis do DSV pararem de instalar semáforos e começarem a valorizar os já existentes? Será que tantos mortos e feridos mensalmente não sensibilizam os responsáveis pelo trânsito de nossa cidade?
O custo, apenas com a redução dos mortos e feridos, bem como dos danos materiais, já justificariam o investimento. Mas ainda se tem a possibilidade de colocar esse custo às expensas dos milhares de infratores diários, pois que as multas revertem-se ao município. Por essa razão, tenho certeza de que medidas como essas só poderiam ser antipáticas para tais motoristas. Caro Purini, a vida agradece.
Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173