Nunca pensei que vivendo em um país rico, exuberante, maravilhoso, viesse um dia sentir-me tão desiludido ao ponto de, enojado, desacreditar totalmente, nos princípios de autenticidade, de despreendimento, de modéstia, de civismo e de honestidade, que partiam de compatriotas, aos quais, respeitosamente, chamávamos homens públicos.
A todos os setores, aos quais direcionamos nosso olhar, nossa atenção só deparamos: Sujeira! Sujeira! Mentira! Mentira! Mentira! Falsidade! Falsidade! Falsidade! E, aos nossos olhos, surgia a depravada corrupção. Como um monstro, vazava sua baba pestilenta dos imorais, a contaminar o território nacional, como se este fosse um repositório de fezes, da imoralidade humana.
Esse oceano de lama é um escárnio à sociedade, ao cidadão, que é levado ao máximo sacrifício para manter trapaceiros, totalmente descompromissados com a moralidade administrativa da Nação. O povo, coitado, em sua maioria ignorante, não percebe a armadilha para a qual o estão direcionando. Fala-se muito em democracia. Afinal, em que sistema democrático nós, brasileiros, vivemos? Na democracia da pilantragem? Ou na aristocracia democrática Severina? Esta situação atemorizante, maléfica e vergonhosa não pode continuar. Esperamos que aqueles que ainda possuem um certo grau de dignidade, ombridade e civismo, possam se portar à altura, desvencilhando-se dos depravados e marginalizados, para, com isso, lavar perante a Nação a sua própria honra. Embora o antro não seja o mais propício, cremos que existam cidadãos de comprovada idoneidade moral e indiscutível sentimento cívico. É necessário barrar a fúria dessa verdadeira revoada de gafanhotos, antes que estes, de maneira indigna e afrondosa, destruam os próprios alicerces da Nação.
Pelos fatos presenciados, ao que nos parece, estamos regredindo na escala social, aos princípios de um sistema “tribal”. Com apenas uma diferença: os atuais caciques e pajés apresentam-se refinadamente trajados, enquanto que os aborígenes estão voltando a se apresentar de tangas ou pelados. Lógico que isso é, em parte, um exagero. Não chegamos ainda a esse ponto. Contudo, não é descartável.
Face a essa situação, vergonhosamente calamitosa, a sociedade brasileira não se portará bem ficando de braços cruzados. Para isso, precisa colocar um freio nos desmandos e maroteiras, na pouca ou nenhuma responsabilidade. Isso porque, pelo que estamos assistindo: “O melhor do Brasil, nem sempre é o brasileiro!”
Áureo Corrêa de Souza - RG. 3.538.605