Lula nunca mais. Na eleição presidencial de 2002, nós, brasileiros, tínhamos duas opções: o voto da razão (Serra) e o voto do coração (Lula). Juntamente com 53 milhões de brasileiros, optei por votar no Lula para que um filho do povo chegasse ao cargo político mais importante do País, ou seja, especialmente por sua biografia (retirante nordestino, menino que vendia amendoim no cais de Santos, torneiro mecânico e líder sindical, que um dia fundou o Partido dos Trabalhadores - PT), e nós, seus eleitores, acreditávamos realmente que este ex-operário pudesse, de alguma forma, corresponder às nossas expectativas e mudar os rumos (pelo menos que sinalizasse uma mudança positiva) desta Nação, na busca de um maior equilíbrio econômico-social que edificasse uma sociedade mais igualitária. Ledo engano e doce ilusão. Em seu discurso de posse, Luiz Inácio Lula da Silva empregou 14 vezes a palavra “mudança” e 13 vezes o termo “fome”. No entanto, passados 2/3 de seu mandato, realmente “mudamos” para pior e a “fome” aumentou. Em resumo, a situação de forma geral piorou, e muito. Das “reformas” tão necessárias ao bom funcionamento do País, só saiu do papel a previdenciária e a tributária, ambas pífias. As reformas administrativa, judiciária, política, trabalhista (sindical), agrária e outras simplesmente ficaram nas “intenções”. Também prometeu criar 10 milhões de empregos e até agora criou-se 2 milhões, com diminuição da renda média do trabalhador e aumento significativo do subemprego e do emprego informal. Na saúde, sucateamento do SUS e a volta de doenças ligadas à pobreza e ao subdesenvolvimento; na educação. Preferiu aplicar recursos nas universidades e não no ensino fundamental e médio, resultado: taxa de analfabetismo de 13%. Também acabou com o bolsa-escola, além de demitir o ministro da Educação e ex-colaborador petista Cristóvam Buarque. Com uma política monetária equivocada, juros estratosféricos sufocam os setores de consumo e de produção, privilegiando tão somente os setores financeiros e o capital especulativo (volátil). Na política fiscal, outro vexame (o governo da Marta, PT, em São Paulo foi um exemplo de irresponsabilidade fiscal), onde o governo Lula simplesmente partidarizou o Estado brasileiro com mais de 25 mil cargos de confiança, promoveu o inchaço da máquina pública. Como pode se alcançar eficiência numa administração pública federal que tem hoje 33 ministros de governo? Mas o pior do PT está na área social e o famigerado “Fome Zero” lançado no início do governo petista é a prova cabal dessa política assistencialista e anticidadã do governo que só faz distribuir migalhas aos menos favorecidos. Para piorar as coisas, Lula também muito mais viaja do que governa e o resultado aí está. Seu governo hoje está marcado por inúmeras denúncias de irregularidades e de corrupção, e também de cooptação do Congresso Nacional num verdadeiro “espetáculo do crescimento” (da corrupção), criando uma imagem pública muito ruim ao partido e ao presidente, que sempre pregaram a ética e a responsabilidade na gestão pública. Uma vez no poder cometem os mesmos erros que antes criticavam quando eram oposição. Nos oito anos do governo FHC, o PT requisitou a abertura de 16 CPIs no Congresso Nacional. No entanto, agora no poder, os petistas e seus aliados fazem de tudo para abafar os escândalos e barrar toda e qualquer CPI. Cabe isso? Em 1989, Lula declarou que o Congresso era composto de “300 picaretas” com anel de doutor. Mas o que diria ele hoje? Ao que tudo indica, o governo do PT vai de mal a pior e o Brasil, que tem tudo para ser um país melhor que a Coréia do Sul (tigre asiático), infelizmente, está cada vez mais parecido com a Bolívia. Se antes a esperança tinha vencido o medo, agora pode-se dizer que o desapontamento venceu a esperança. O PT, em sua origem, nasceu para fazer a diferença. Hoje assemelha-se à velha república de Sarney, ACM, Jader, Quércia, Maluf e outros. Por essas e outras “Lula nunca mais”! Se deu no que deu, imaginem no que vai dar?
Aurélio Braga - RG 12.912.493