Ainda dá tempo: até 3 de julho, Campina Grande, cidade com quase 400 mil habitantes e distante apenas 130 quilômetros da Capital da Paraíba, João Pessoa, é só festa.
Durante 30 dias, com início dia 3 de junho, tudo gira em torno do Maior São João do Mundo, com direito aos melhores shows de forró, fogueira gigante com 18 metros de altura - o equivalente a um prédio de seis andares - casamento coletivo, trenzinho com conjunto de forró pé-de-serra que atravessa os arredores da cidade rumo a Galante, barracas de cozinha regional e muito mais.
Alegria e diversão o tempo todo é o que não falta, seja na imensa Praça do Povo, fincada no coração da cidade, nos forrós espalhados pelos bairros (chamados de ilhas de forró) e até mesmo nos hotéis. Animação para todos: ricos, poderosos, pobres, trabalhadores, homens, mulheres e crianças.
A entrada à Praça do Povo é gratuita e para evitar qualquer problema durante a festa que chega a receber quase dois milhões de pessoas, todos são revistados com detector de metais. Mulheres em uma fila, homens em outra.
Barreira transposta, é hora de alegria. Todos os detalhes da festa são minuciosamente estudados meses antes para propiciar o melhor à população e visitantes: a imensa fogueira, a pirâmide onde o forró corre solto, as barracas dos melhores restaurantes da cidade, a rua da imprensa com casinhas servindo de sede para as rádios locais transmitirem a festa, as barraquinhas de tapioca e outras guloseimas, a réplica da catedral, a igrejinha dos santos de junho, o engenho de farinha, a bodega popular e a casinha de pau-a-pique...
Em meio a bandeiras coloridas, balões, fogueiras, 300 barracas e mais de 50 lojas de artesanato, se apresentam mais de 200 quadrilhas, dez grupos folclóricos, 300 conjuntos e uma infinidade de grupos de forró que garantem no mínimo 500 horas de música sem parar.
E tem mais: para os campinenses, o mais divertido do São João está por vir: a corrida do jegue, uma competição que é realizada no Parque do Povo, a céu aberto, entre 12 e 16 de junho.
Os jegues são inscritos no dia e no local da competição, recebendo as mais engraçadas denominações: Burrinho Burriquelo, Ozama, Pinguço e Mikael Xumaker.
Ainda nesta semana, outro evento paralelo aos shows merece destaque: o casamento coletivo - geralmente dia 13 de junho, dia do santo casamenteiro, Santo Antônio.
Em plena Praça do Povo os casais ganham o traje da cerimônia, maquiagem e os tradicionais buquês.
Casamento selado, os nubentes participam de uma recepção onde podem convidar quatro pessoas, comer bolo, tomar refrigerante e, claro, dançar forró. Tudo na faixa.
Falando em Santo Antônio, embora exista fiscalização na igrejinha dos santos juninos, todo ano a imagem do dito cujo some. São mulheres doidinhas para casar em busca de novo milagre.
Em junho chove praticamente sem parar em Campina Grande. Segundo os moradores, faz parte da festa. A animação é tamanha que ninguém se rende às águas de São Pedro. Em meio aos shows de forozeiros famosos por aquelas bandas como Eliane, Magníficos e Calcinha Preta, os casais se abraçam, dançam e vibram com o espetáculo.
Ao contrário de anos passados, este ano o povo e os camarotes do poder estão mais próximos. Uma democratização que vem recebendo elogios, assim como a administração de Veneziano Vital, jovem advogado, de 34 anos, neto de governador e irmão de deputado paraibano.
Veneziano é um entusiasta da festa que gera 10 mil empregos temporários e vem inovando com o fortalecimento de seus símbolos (xilogravura e cordelistas) e homenageando ícones como Jackson do pandeiro e Luiz Gonzaga.