08 de julho de 2026
Política

Defeitos põem Getúlio Vargas em risco

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

A parte baixa do prolongamento da avenida Getúlio Vargas, realizado pela gestão Nilson Costa, apresenta problemas de execução em declividade de galerias de águas pluviais e de material inadequado utilizado na obra que podem colocar em risco o trecho da via. A afirmação foi feita publicamente pelo prefeito Tuga Angerami (PDT) durante a reunião técnica que discutiu problemas na ponte Ayrton Senna, ontem, na sede do Sindicato do Comércio Varejista.

Tuga disse que já determinou à Secretaria Municipal de Obras que faça laudo com o levantamento técnico de todos os problemas detectados no prolongamento da duplicação da avenida, na zona sul da cidade. “A Secretaria de Obras está providenciando o laudo com todos os problemas descritos e os materiais considerados de qualidade ruim utilizados na obra para o Jurídico poder entrar direto na Justiça e buscar o ressarcimento pelos prejuízos”, cita.

O prefeito diz que a medida visa impedir que a avenida venha a sofrer risco de ruir pela ação do tempo. “Existem tubos utilizados na duplicação que esfarelaram e há problema de execução na galeria de águas pluviais na parte baixa que pode comprometer o uso da via. Vamos agir para garantir as provas e buscar o Judiciário”, revela.

A citação de Tuga foi feita durante a reunião como reclamação aos problemas que vem enfrentando em relação à qualidade de obras da gestão anterior, entre as quais está a ponte interditada que ligaria o Mary Dota com o Distrito Industrial.

O secretário dos Negócios Jurídicos, Célio Parisi, contou que, a exemplo de três escolas que apresentaram defeitos na execução dos pátios (com risco de desabamento, e que estão escorados por estacas), a administração vai ingressar com ação cautelar de produção antecipada de provas para garantir a identificação dos prejuízos e dos defeitos na avenida Getúlio Vargas visando a busca do ressarcimento.

Esse expediente garantiu ação rápida no caso das escolas que apresentaram problemas ao longo de 2004. “A ação visa apresentar, com respaldo judicial, as provas e garantir o laudo para, em seguida, o Jurídico cobrar os responsáveis pelos prejuízos ou defeitos e garantir a rápida recuperação de uma via pública de trânsito intenso”, menciona Parisi, ao comentar o tema ao lado de Angerami.

Com esta medida, a administração poderá acionar a empresa responsável pela parte das obras de duplicação que apresentam defeitos ou realizar os reparos por conta própria e, na ação judicial, buscar a reposição do que for gasto.

“Me dei conta que todas as últimas obras contratadas pela administração passada tiveram problema. Foram três escolas que tiveram o pátio desabando, uma quarta escola ainda em construção e já com problemas, a ponte Ayrton Senna, o Núcleo Bauru 2000 com sérios problemas estruturais e agora a parte da duplicação da avenida Getúlio Vargas com problemas”, elenca Tuga.

Defeitos na execução

O Executivo lembra que tubos instalados na região já tiveram que ser trocados no início do ano. “Agora, estão sendo localizados outros defeitos e comprometimento da galeria por erro de execução. Não podemos esperar que o problema se agrave e coloque em risco a via com a ocorrência de chuvas”, complementa Tuga.

O secretário de Obras, Leandro Joaquim, lembra que o pavimento da avenida já havia apresentado problema ainda durante o governo anterior. “A capa asfáltica teve que ser refeita, mas esta parte foi de responsabilidade de uma das contratadas. Depois foram identificados defeitos em tubos que não tinham qualidade adequada e estavam esfarelando. Isso trocado já neste governo”, cita.

Diante disso, a pasta decidiu revisar os tubos instalados em outras regiões da avenida duplicada. Também foram identificados problemas na instalação de 20 metros de galerias de águas pluviais. “Foi detectada inclinação invertida em um trecho das galerias. O problema é subterrâneo e precisa ser solucionado para não comprometer a estrutura da via com o tempo”, afirma Joaquim.

Segundo ele, o local pode sofrer com assoreamento e o comprometimento da vazão em função deste problema. “A empresa mostrou interesse em fazer o conserto, mas o contrato já havia sido rescindido unilateralmente pela prefeitura quando levantamos o processo”, informa.

O secretário adverte que o trecho da pista terá que ser rompido para atacar o problema em até três metros nos dois lados da faixa. “A medição final pelos serviços da água pluvial não foi paga e agora vamos levantar todos os dados para o Jurídico agir. Depois, esperamos a conclusão do processo para corrigir o problema e a drenagem, refazendo esta parte do pavimento”, amplia.

Leandro Joaquim conta que a empreiteira responsável por esta parte do projeto é a Laudemar Engenharia, de Marília. O serviço foi realizado durante a gestão do engenheiro Antonio Carlos Duarte na secretaria. Ambos não foram localizados, ontem à tarde, para comentar o assunto.