09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Dólar derruba preços da cesta básica

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

As constantes quedas do dólar registradas ao longo dos últimos meses têm gerado um efeito interessante aos consumidores nas prateleiras dos supermercados. Aos poucos é possível perceber a diminuição de preços em itens fundamentais da cesta básica, como arroz, óleo de soja, açúcar, farinha de trigo e até carnes. Na média, as reduções de preços variam de 10% a 15%, mas dependendo do produto chega até a 30%. Ontem, o dólar encerrou o dia cotado a R$ 2,399.

O gerente de compras de uma rede de supermercados com três lojas em Bauru, Paulo Sanches, diz que um pacote de cinco quilos de arroz pode ser encontrado hoje a R$ 4,99, sendo que antes da queda chegou a custar R$ 9,50. Um quilo de farinha de trigo pode ser encontrado a R$ 1,30 nas lojas desta rede, sendo que antes custava em torno de R$ 2,00.

“O preço atual do arroz é o mesmo praticado no ano 2000. O açúcar refinado, que antes era vendido até a R$ 1,40, hoje não passa de R$ 1,00. É claro que há variações dependendo da marca dos produtos, mas a queda é generalizada, de 10% a 15% na média. No caso do óleo de soja, além do dólar também houve a influência da queda do preço do produto no mercado internacional. O consumidor está realmente sendo beneficiado neste momento”, afirma Sanches.

As carnes também tiveram queda em torno de 10% nos preços, tanto bovina quanto suína e de frango, segundo o gerente. “As exportações deixaram de ficar interessantes (em função do dólar baixo), então, está sobrando mercadoria para abastecer o mercado interno. O faturamento da empresa está sendo afetado negativamente, porque algumas reduções de preços são bem acentuadas e em setores importantes do supermercado, como o de cereais e o açougue.”

Em outra empresa supermercadista, o comprador Marcos Renato Lourenção também aponta queda média de 10% a 15% nos preços desses produtos. No caso do açúcar, a redução chega a 28% nesse supermercado, passando de R$ 1,10 para R$ 0,79.

“Nós estamos repassando integralmente ao consumidor essas quedas de preços. Estamos até procurando fazer compras semanais para não correr o risco de ficar com estoque de preço velho e ter que vender um pouco mais caro do que os patamares atuais. Além das quedas do dólar, a redução no Estado das alíquotas do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para alguns produtos também está forçando os preços para baixo”, analisa Lourenção.

A dona de casa Ana Maria Sanas está comprovando na ponta do lápis os reflexos da desvalorização da moeda norte-americana nos preços de produtos básicos da mesa brasileira. “Desde o início do mês eu tenho percebido que o arroz, óleo (de soja), açúcar, farinha e até o macarrão estão mais baratos. Outro dia eu comprei um pacote de cinco quilos de arroz parboilizado, que sempre é mais caro, pelo mesmo preço de um arroz tipo A”, conta.

O economista e professor Reinaldo Cafeo observa que, apesar de nem todos os produtos influenciados pelo dólar estarem mais baratos, alguns índices de preços poderão registrar deflação neste mês, como o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe. O Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) também aponta deflação no período de 21 de maio a 20 deste mês.

“À medida em que o dólar cai, desestimula as vendas externas e aquece o mercado interno. Além disso, vários produtos da cesta básica tiveram queda em função da redução do ICMS no Estado de São Paulo. Neste cenário, o empresário tenta manter sua margem de lucro observando o comportamento do consumidor. Se a demanda se mantiver, os preços ficam estáveis. Ou então, a concorrência puxa os preços para baixo, o que está sendo comprovado pelas quedas de vários índices que medem a inflação”, afirma o economista.