08 de julho de 2026
Regional

Marília reduziu 565 postos de trabalho

Por Da Redação | Com Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 4 min

Marília - O setor industrial da região de Marília reduziu 565 postos de trabalho, de acordo com o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). Os dados são referentes à variação no nível de emprego entre abril e maio deste ano.

A diretoria regional, composta por 31 municípios, diminuiu em 2,16% o número de vagas, ocupando o primeiro lugar no ranking de demissões, entre 32 regionais pesquisadas.

O índice negativo, de acordo com a assessoria de imprensa do Ciesp, foi influenciado pelas variações negativas nos setores de mecânica (-5,47%), têxtil (-4,51%), metalúrgica (-1,67%) e produtos alimentares (-1,41%), predominantes na região.

Em maio de 2004, o resultado havia sido favorável, com aumento de 1,03% nas vagas de trabalho. Nos últimos 12 meses o acumulado é de 0,75%.

O diretor Paulo Roberto Brito Boechat diz que o resultado da regional em maio é um dos piores dos últimos quatro anos. Ele identifica a desvalorização do dólar e as altas taxas de juros como fatores que motivaram o desempenho negativo das indústrias. Ressalta que o quadro foi agravado principalmente pelo desaquecimento de uma grande indústria do setor mecânico, instalada em Marília, que produz máquinas agrícolas.

“O agronegócio foi afetado intensamente. Está endividado, com problemas estruturais e com dificuldades para exportar. Por isso a compra de máquinas agrícolas diminuiu, o que afetou o desempenho dessa empresa, que fatura mais de 600 milhões de dólares por ano em máquinas agrícolas”, diz.

No setor de alimentação, na avaliação de Boechat, o encolhimento do mercado interno e a dificuldade de se manter os contratos de exportação, devido a desvalorização do dólar, foi responsável pelo desempenho negativo das indústrias.

“Eles estão exportando menos e colocando menos produtos no mercado interno, mesmo com capacidade de produção muito maior. Então o que eles tem de fazer? Dispensar mão de obra. Isso aconteceu fortemente na mecânica, na metalúrgica e na área da alimentação”, diz.

Já o ramo têxtil, segundo o diretor, também está sendo pressionado pela característica sazonal da produção e pela competitividade do mercado chinês.

“A descapitalização das empresas e sua capacidade de investimento, de forma geral, é extremamente preocupante”, observa.

Tímido crescimento

Formada por 11 municípios, a regional de Jaú criou em maio 22 postos de trabalho, apresentando tímido crescimento de 0,12%. Os setores com melhor desempenho foram os de produtos minerais não-metálicos (2,61%) e produtos alimentares (0,47%). Segundo a assessoria de imprensa do Ciesp, o resultado poderia ter sido melhor se a variação negativa no setor de calçados não tivesse sido tão expressiva (-3,06%).

“Foi até um bom resultado, porque se considerarmos a junção de dólar baixo com juros altos, percebemos que a economia está caminhando para a recessão”, avalia o diretor regional, Hamilton Chaves, destacando que o nível de emprego vem piorando desde fevereiro deste ano.

O índice de emprego industrial verificado pela direção regional de Bauru, que engloba 17 municípios, também apresentou elevação pouco expressiva em maio (0,21%). Foram criados 35 postos de trabalho. Os setores que mais influenciaram este resultado foram produtos alimentares (1,11%) e material elétrico, eletrônico e de comunicações (0,96%). Em relação a maio de 2004 houve discreta melhora, pois naquele mês o resultado foi positivo em 0,11%. Nos últimos 12 meses o crescimento é de 6,79% no número de vagas.

O diretor Ricardo Coube mostrou-se surpreso pelo resultado e confessa que esperava variação negativa nos postos de trabalho da regional. Ele acredita que o resultado positivo tenha sido influenciado por uma multinacional do setor de alimentos, que gerou novas vagas de trabalho ao concentrar suas atividades em Bauru.

“A tendência era termos esse quadro pior. Ele está sendo sustentado nesse mês de maio, pontualmente, por um caso bastante expressivo de uma empresa alimentícia”, diz.

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Botucatu

Na direção regional de Botucatu, composta por 41 cidades, foi registrada a redução de 137 postos de trabalho - uma variação negativa de 0,49%. Os setores que contribuíram para esse resultado foram vestuário, calçados e artefatos de tecidos (-11,6%), material de transporte (-0,40%) e produtos de minerais não-metálicos (-0,23%). Na comparação com maio de 2004, que registrou aumento de 1,94%, houve piora no cenário. O acumulado nos últimos 12 meses é de 4,79%.

A reportagem não conseguiu localizar ontem, por telefone, o diretor da regional de Botucatu, Michael Christian Andersen, para repercutir o assunto.