09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

UM NOVO TEMPO...

José Reginaldo Furtado
| Tempo de leitura: 2 min

Se há algo que todo jovem deveria aprender desde cedo é que a luta em favor do ensino público e do respeito aos educadores inclui que a briga por salários menos imorais é um dever e não só um direito. A luta do educador em defesa de sua dignidade e de seus direitos deve ser entendida como parte de sua prática docente. Prática docente que merece respeito. O mesmo respeito que deve ser despendido ao educando, à sua pessoa, ao seu direito de ser. Historicamente, o descaso em relação à educação pública tem causado em nós, professores já cansados pela opressão, a sensação de indiferença, de não podermos mais fazer nada para alterar esta dura realidade que nos é imposta. O fato de não contarmos com o respeito devido de nossos governantes não nos deve soar como motivo para desistir da luta, de deixar de amar nossa profissão ou mesmo nossos alunos. Qualquer educador, seja qual característica que possua, deixa marcas indeléveis em seus educandos. O engajamento do educador na luta ética pelo direito de exercer seu ofício com dignidade deve ser exemplo a todos os que vêem na educação sinônimo de evolução social e construção do caráter individual. A valorização da prática docente deveria ser parte do inconsciente coletivo de uma sociedade que preza um mundo melhor, onde as diferenças sociais sejam transformadas em sentimentos de amor ao próximo. O espaço pedagógico exige condições decentes para que se torne efetivo o exercício da tarefa docente. A destruição deste espaço em nome de um processo mercadológico fere a dignidade dos educadores que ainda não se deixaram “moer” nas engrenagens do sistema que privilegia a quantidade ao invés da qualidade. De minhas ações transpiram sinceridade, a firme convicção e a serenidade de um educador que tranqüilamente proclama a verdade, sem inquietar-se com o julgamento dos demais, por achar-se seguro de que o erro está com aqueles que negam a evidência dos fatos. Em nome de meus alunos, não posso eximir-me da responsabilidade que o conhecimento me aufere. Prossigo de cabeça erguida, alicerçado em minha dignidade a qual repugna o ditado que diz que “os fins justificam os meios”, pois quando me encontrar comigo mesmo, quero apenas carregar a sensação que cabe somente aos homens justos: paz de espírito, a qual, muitos nunca saberão o significado. No momento, desejo a todos serenidade e ponderação. (José Reginaldo Furtado - professor - RG 14,808.646)