08 de julho de 2026
Auto Mercado

Para evitar a 'ressaca'

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

Desde o lançamento e adoção da tecnologia bicombustível no País, há cerca de dois anos, começaram a surgir problemas inéditos e cuidados específicos com os automóveis equipados com o sistema, que permite aos veículos rodare com gasolina, álcool ou ambos misturados em qualquer proporção.

Para quem roda priorita-riamente com álcool, uma das principais providências é atentar-se para os intervalos de troca do filtro de combustível. É o que explica Lourival Ortiz de Camargo, instrutor automotivo da unidade bauruense do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

“Enquanto na gasolina o prazo é a cada 30 mil quilômetros, no álcool o período deve ser encurtado para 10 mil. Isso evitará que o filtro ande entupido e, com isso, force a bomba elétrica de combustível a atuar sobre-carregada. E é muito mais barato substituir um filtro que uma bomba”, alerta Camargo.

Outro cuidado essencial deve ser com distância percorrida após trocar o combustível na hora de abastecer. O instrutor explica que se o carro estava rodando com álcool e foi adicionado gasolina no tanque - ou vice-versa - e em seguida rodou pouco e estacionou, certamente terá problemas na próxima partida.

O instrutor explica que a origem do problema reside no tempo exíguo dado ao sistema de injeção eletrônica para reconhecer a nova mistura. “Todos os bicombustíveis, sem exceção, estão sujeitos a isso. Desta forma, é fundamental andar, no mínimo, cerca de dez quilômetros após mudar o combustível. Se o veículo rodar pouco, o sistema pode não se reajustar e manter as leituras do combustível anterior, gerando dificuldades na próxima tentativa de ligá-lo”, esclarece.

Segundo Camargo, o mesmo problema pode se repetir no caso do combustível acabar e, logo em seguida, for trocado no posto. “Já há até a tecnologia para se evitar esse contratempo, que seria a instalação de um sensor dentro do tanque. Entretanto, isso encarecia muito o veículo”, frisa o instrutor.

O reservatório do sistema de partida a frio também merece atenção redobrada dos donos de carros flexíveis. Além de renovar o combustível entre dois e três meses, é essencial que se utilize a gasolina aditivada e o mantenha sempre cheio. “Esses cuidados evitam que a gasolina vença e cause dificuldades de ignição, além de diminuir a chance de ressecamento e vazamento do reservatório e de mangueiras. E a opção pela aditiva se justifica pelo fato dela possuir melhor qualidade e diminuir os riscos de contaminação do motor”, orienta Camargo.

O instrutor do Senai/Bauru também dá uma dica importante para melhorar o custo-benefício dos flexíveis na hora de abastecer. Segundo Camargo, para quem roda mais na cidade e sempre em trajetos curtos com álcool, é interessante misturar entre 10% e 20% de gasolina no tanque.

“Isso melhora muito o consumo, principalmente no inverno. A explicação está no fato de que, quanto mais frio, maior é a tendência do álcool em condensar, forçando a mistura ficar mais ‘rica’, o que eleva o gasto do combustível. Com a adição da gasolina, essa tendência é minimizada”, explica Camargo.