08 de julho de 2026
Geral

SP terá perfil do câncer de próstata

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Até o final deste ano, os paulistas vão ter acesso a um levantamento completo que vai traçar o perfil do câncer de próstata no Estado. A informação é do presidente da Seção São Paulo da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), médico Aguinaldo César Nardi. O estudo epidemiológico, pioneiro no País, começou a se desenvolver em setembro do ano passado através de notificações voluntárias de urologistas dos municípios paulistas.

Segundo a assessoria de imprensa da entidade, atualmente, as informações oficiais disponíveis se referem apenas ao número de mortes e à estimativa de novos casos. Não há dados sobre o perfil do doente, o estágio da doença no momento do diagnóstico, os tratamentos mais utilizados e as cidades com maior ocorrência.

Na opinião de Nardi, a escolha dos métodos de diagnóstico e de tratamento é baseada em estatísticas provenientes de pesquisas populacionais realizadas em outros países e que provavelmente não refletem a realidade brasileira.

Ele diz que é justamente essa lacuna que o estudo que está sendo realizado pela SBU/SP pretende suprir. Para cada caso diagnosticado, são apuradas mais de 50 informações, como idade, raça, estágio da doença, motivo da biópsia e locais de diagnóstico e tratamento.

Apontada como a segunda principal causa de morte masculina por tumores, o câncer de próstata deve afetar 46 mil brasileiros em 2005, dos quais 13 mil somente no Estado de São Paulo. Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer, a cada grupo de 100 mil habitantes, 65 terão doença. Dados da Fundação Seade revelam que no ano passado 2.427 homens paulistas morreram em decorrência da doença.

Apesar da relevância dos números, o câncer de próstata ainda tem suas origens desconhecidas no Brasil. Até o final de maio deste ano, o estudo epidemiológico realizado pela SBU/SP apontava 1.189 casos, colhidos em 39 cidades paulistas. Eles mostram, por exemplo, que a maioria dos homens com câncer de próstata (53%) precisou se deslocar dos municípios onde moram para obter o diagnóstico ou tratamento da doença.

O maior índice de deslocamento é entre pacientes do SUS e de convênios, que vivem em cidades com menos de 100 mil habitantes - provavelmente em busca de centros de referência públicos ou privados. Segundo o médico Stênio Zequi, coordenador geral do estudo, um aparelho de ultra-som para realizar biópsia da próstata custa em torno de US$ 20 mil e requer um profissional especializado para operá-lo.

“Então, já se espera que esse equipamento não esteja disponível na rede pública de pequenas cidades, como uma maneira de otimizar gastos”, comenta Zequi.

Até o momento, o estudo aponta que 86% dos portadores da doença eram de raça branca; 12%, negra; e 2%, amarela. Em São Paulo, assim como nos países desenvolvidos, 80% dos casos são diagnosticados na fase inicial, ou seja, quando o tumor ainda está localizado apenas na próstata, o que aumenta as chances de cura.

A pesquisa investiga também os motivos que levam os homens a procurar um urologista. Cerca de 30% foram encaminhados por médicos de outras especialidades, o que reforça a importância do urologista investir no relacionamento com clínicos, geriatras e cardiologistas.

Menos de 1% decidiu consultar um urologista motivado pela mídia e apenas 13% por causa de campanhas de rastreamento. “O número é pequeno e indica que há espaço para o governo e as entidades médicas promoverem iniciativas de esclarecimento à população”, ressalta Nardi.

Depois de coletados e tabulados até setembro deste ano, os dados estarão disponíveis para as universidades, hospitais, órgãos públicos e ONGs.