O 'vício' da leitura nasce na infância. Manusear um livro, ainda que só de figuras, pode fazer com que no futuro essa criança goste de ler. O hábito leva a procura do conhecimento e ler é um caminho que só enriquece. Partindo desse princípio, a Escola Municipal de Educação Infantil Santa Rita de Cássia adotou uma estratégia para fazer com que seus alunos se interessem pelos livros: a biblioteca que anda. O projeto consiste em um sistema de caixas de papelão lotadas de livros. Como são sete classes, foram criadas sete caixas.
Cada uma delas contém livros direcionados para uma determinada faixa etária, explica a diretora da escola, Regina Aparecida Dadauto Belline. “Temos classe de maternal, Jardim I e II e pré-escola. Crianças de 3 a 7 anos.”
Para que os cerca de 600 alunos não fiquem limitados aos livros próprios para sua faixa etária, as caixas passam uma semana em cada classe. “Desta maneira a criança do maternal, por exemplo, tem a oportunidade de ver e manusear o livro próprio para a idade dela e os mais avançados.”
Quem sabe ler pode ler e quem não sabe pode folhear ou apreciar apenas as figuras, o mais importante é o contato, frisa a diretora. “É super-interessante. As crianças gostam demais de manusear o livro. Em determinadas situações elas escolhem a história para a professora ler, uma vez que ainda não estão alfabetizadas.”
De acordo com a diretoria da escola, a biblioteca é atualizada e ampliada constantemente. “A coordenadoria de educação compra livros para enriquecer nosso acervo.”
As imagens ainda são os atrativos dos livros, segundo a coordenadora da escola Ana Francisca Gonçalves de Oliveira. “Para aqueles que não sabem ler, temos os livros só com figuras. O manuseio desperta a curiosidade e a imaginação da criança. Tem algumas que vendo as figuras criam histórias.”
Os clássicos da literatura infantil, como Chapeuzinho Vermelho, Branca de Neve e os Sete Anões lideram o ranking dos mais requisitados, seguidos da Pequena Sereia.
As letras graúdas ajudam a criança a ler sozinha, explica a coordenadora. “Eles procuram livros com pouca escrita, muita figura e os mais coloridos. Tem uma pequena parcela do público infantil que gosta quando o livro tem um enredo envolvente.”
O incentivo a leitura não encontra muito eco em casa, explica a diretoria. “A nossa clientela é em sua maioria formada por pessoas de nível social e intelectual menos abastado. Os pais, muitas vezes, são trabalhadores rurais.”
Para mudar essa realidade, a escola, que usa material apostilado, incentiva a pesquisa. “Estamos pedindo como tarefa pesquisa em revistas. Isso tem ajudado muito a incentivar as crianças a lerem em casa, por ter como finalidade ‘forçar’ os pais a lerem junto com seus filhos.”
O material emprestado nem sempre volta como foi, mas o mais importante é que a criança e seus pais tenham o contato com ele, frisa a diretora. “Tem aluno que conserva o material, outros estragam, mas temos que correr o risco em nome do incentivo a leitura.”
Belline admite que para as crianças é muito mais cômodo e interessante assistir a um filme do que ler um livro. “A maioria não tem acesso ao vídeo, mas à televisão. A gente sente que entre ler um livro e ver um filme,eles preferem ver o filme.”