10 de julho de 2026
Geral

Garotos trocam bola e pipa por computadores e música

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

A grande maioria dos 480 garotos assistidos pela Legião Mirim de Bauru trocou o embalo do campinho de futebol e as pipas por microcomputadores e instrumentos musicais. E não estão arrependidos por isso. A vontade de se engajar numa profissão é tanta que o aprendizado acaba se tornando uma brincadeira sadia.

Morador do Parque Jaraguá, Rayderson Fernando Trindade da Silva, 15 anos, freqüenta a Legião Mirim de Bauru há mais de um ano. A sua aula predileta é a de computação. “Nunca tive a oportunidade de mexer num computador”, revela. Estudante do ensino médio, Silva diz que batalha para ingressar num curso de direito. “Quero me formar advogado”, afirma.

A consciência de que a inclusão tecnológica é uma necessidade para enfrentar o mercado de trabalho é uma realidade entre os jovens da legião. Há um ano e três meses, o estudante Dhone Henrique da Silva, 16 anos, decidiu seguir o conselho de um amigo. Procurou a legião e deixou as ruas do Parque Jaraguá. “Descobri um novo mundo, o da computação. A informática é o que mais a gente precisa aprender”, diz.

Cursando o último ano do ensino fundamental, Bruno Fernandes dos Santos, 14 anos, é um dos garotos que trocou a bola dos campinhos de futebol do Jardim Eldorado II por uma tela de computador. “Não me arrependi”, garante.

Seu colega de turma, Emerson Thiago Gouveia, 14 anos, tirou os olhos do céu e deixou de empinar pipas para fincar os pés na legião. Morador do Jardim Bela Vista, ele agora está engajado na banda da instituição, onde toca flauta.

A experiência de trabalhar com jovens recompensa nos resultados que são apresentados. O professor de informática Thiago Oliveira, 22 anos, afirma que faz seu trabalho com satisfação porque tem a consciência de que está contribuindo para a formação educacional de jovens que não tinham muita perspectiva profissional. “Isso é gratificante”, diz.

Segundo a assistente social Luciana Aguiar, o preparo para o mercado de trabalho também envolve experiências de vida. Profissionais de vários segmentos, como advogados, psicólogos, delegados de polícia, promotores, juízes, são convidados a proferir palestras para os jovens.