A grande maioria dos 480 garotos assistidos pela Legião Mirim de Bauru trocou o embalo do campinho de futebol e as pipas por microcomputadores e instrumentos musicais. E não estão arrependidos por isso. A vontade de se engajar numa profissão é tanta que o aprendizado acaba se tornando uma brincadeira sadia.
Morador do Parque Jaraguá, Rayderson Fernando Trindade da Silva, 15 anos, freqüenta a Legião Mirim de Bauru há mais de um ano. A sua aula predileta é a de computação. “Nunca tive a oportunidade de mexer num computadorâ€, revela. Estudante do ensino médio, Silva diz que batalha para ingressar num curso de direito. “Quero me formar advogadoâ€, afirma.
A consciência de que a inclusão tecnológica é uma necessidade para enfrentar o mercado de trabalho é uma realidade entre os jovens da legião. Há um ano e três meses, o estudante Dhone Henrique da Silva, 16 anos, decidiu seguir o conselho de um amigo. Procurou a legião e deixou as ruas do Parque Jaraguá. “Descobri um novo mundo, o da computação. A informática é o que mais a gente precisa aprenderâ€, diz.
Cursando o último ano do ensino fundamental, Bruno Fernandes dos Santos, 14 anos, é um dos garotos que trocou a bola dos campinhos de futebol do Jardim Eldorado II por uma tela de computador. “Não me arrependiâ€, garante.
Seu colega de turma, Emerson Thiago Gouveia, 14 anos, tirou os olhos do céu e deixou de empinar pipas para fincar os pés na legião. Morador do Jardim Bela Vista, ele agora está engajado na banda da instituição, onde toca flauta.
A experiência de trabalhar com jovens recompensa nos resultados que são apresentados. O professor de informática Thiago Oliveira, 22 anos, afirma que faz seu trabalho com satisfação porque tem a consciência de que está contribuindo para a formação educacional de jovens que não tinham muita perspectiva profissional. “Isso é gratificanteâ€, diz.
Segundo a assistente social Luciana Aguiar, o preparo para o mercado de trabalho também envolve experiências de vida. Profissionais de vários segmentos, como advogados, psicólogos, delegados de polícia, promotores, juízes, são convidados a proferir palestras para os jovens.