08 de julho de 2026
Geral

Engenheiros discutem projetos de obras e objetos para atender também deficientes

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 2 min

Discutir o conceito de “desenho universal” e a promoção da acessibilidade para pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. Essa foi a proposta do curso de capacitação técnica oferecido ontem em Bauru pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de São Paulo (Crea-SP).

De acordo com o coordenador do GT Acessibilidade, engenheiro Luiz Carlos de Alcântara, o curso abordou a necessidade de conscientização profissional e social sobre o tema.

Alcântara explica que o conceito de desenho universal, desenvolvido pelos norte-americanos e discutido no evento, está relacionado à projeção e construção de ambientes e espaços acessíveis a todos.

“O conceito de desenho universal é o de projetar ambientes e aparelhos que possam atender tanto os deficientes quanto qualquer outro cidadão. Para que todos possam se utilizar daquilo, sem distinção até porque os deficientes não querem ser tratados como excluídos, eles querem ter o direito de acesso como todo cidadão”, destaca o coordenador.

O encontro enfocou ainda questões referentes ao decreto 5.296, de 2004, que regulamenta as leis que dão prioridade de atendimento às pessoas com deficiência e que estabelece as normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade para pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.

“Esse tema acessabilidade não é só para deficiente físico, é mais amplo. Ele abrange a gestante, o obeso, o idoso, a criança. O decreto de 2004 prevê que daqui para frente não se projete e se execute mais nada que não seja acessível”, diz o coordenador.

Alcântara observa que a preocupação com acessibilidade nos espaços urbanos é recente no Brasil e vem sendo discutida com maior intensidade nos últimos cinco anos. Ele lembra, por exemplo, que os EUA desde 1960 tem dado atenção a essas questões. “Preocupado com o pós-guerra e com jovens que voltaram da Guerra do Vietnã com seqüelas, os EUA desenvolveram o conceito de desenho universal, para projetar ambientes acessíveis a todos”, diz.

O curso, gratuito, está sendo desenvolvido nas principais cidades do Estado. Durante o evento de ontem, os profissionais realizaram também atividade prática e se locomoveram em cadeiras de rodas ou com muletas, para perceberem as dificuldades encontradas nos ambientes projetados sem preocupação com acessibilidade.

Além de arquitetos, engenheiros e técnicos especializados em fiscalização e acompanhamento de obras, o curso também atraiu futuros profissionais, como Jaqueline Lamente, estudante do 4.º ano do curso de arquitetura da Unesp.

“É importante para nós, que estamos nos formando, termos noção das dificuldades, dos problemas de acesso que a cidade apresenta e percebermos como podemos nos comportar diante desses problemas”, observa.