A partir de sexta-feira, uma viagem entre Bauru e Jaú (distância de 47 quilômetros), que custava R$ 11,20 ida-e-volta, vai passar para R$ 12,20. Já percorrer a rodovia Marechal Rondon entre Bauru e Lins (distância de 100 quilômetros) vai custar R$ 6,00, contra R$ 5,50 até então. Os novos preços são resultado do reajuste anual de 9,075% anunciado ontem pela Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp).
De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, o aumento está previsto nos contratos de concessão e é calculado com base no Índice Geral de Preço de Mercado (IGP-M) acumulado em 12 meses.
Já para quem trabalha em transporte, a majoração é uma entre muitas outras que afetam o desenvolvimento do trabalho. O gerente comercial de uma transportadora de Bauru, por exemplo, Sérgio Marabolin, explica que o custo do serviço vai subir, mas que não há como repassar para os clientes. “Quem vai sofrer são os caminhoneiros, pois não teremos como repassar essa alta para eles”, destaca.
Na empresa, o transporte é terceirizado. Dessa forma, cada motorista arca com a tarifa do pedágio. “Nós não temos como repassar esse aumento para os clientes, pois eles não vão aceitar, pelo menos a princípio”, destaca.
O estudante Plínio Volponi costuma ir de Bauru para Lins uma vez por semana ou a cada 15 dias. Ele vai gastar R$ 0,50 a mais a cada vez que fizer o percurso, valor que parece irrisório. No entanto, ele lembra que não dá para pensar individualmente na majoração do pedágio. “Para mim, não vai fazer tanta diferença pessoalmente. Mas indiretamente vai acabar me atingindo, pois o reajuste do pedágio gera um aumento em cadeia dos produtos”, destaca.
Tarifa quilométrica
Quem precisa viajar com certa freqüência para São Paulo vai sentir uma diferença grande na hora de passar nas praças de pedágio. A viagem a partir de Bauru, feita pelas rodovias Marechal Rondon, Hipólito Martins e Castello Branco, vai subir de R$ 56,60 para R$ 61,60. O valor mais alto é o da praça de Itapevi, que vai custar R$ 9,40 (contra R$ 8,60 cobrados atualmente).
O pedágio mais caro do Estado é o da rodovia dos Imigrantes (que leva ao litoral sul), que passará de R$ 13,40 para R$ 14,80 (veja tabela completa das tarifas no caderno Automercado & Cia., veiculado aos sábados pelo JC).
A Artesp explica que o cálculo dos pedágios utiliza o conceito de tarifa quilométrica. “Há uma base tarifária por quilômetro, a qual varia em função de três categorias: pista simples, dupla e sistema rodoviário”, destaca a assessoria de imprensa da agência.
O valor varia também de acordo com o tipo de veículo: as motos, por exemplo, não pagam pedágio. Já os proprietários de automóveis desembolsam a tarifa simples, enquanto ônibus e caminhões pagam pelo número de eixos. “Veículos mais pesados causam desgaste maior nas pistas”, salienta a assessoria de imprensa.
Atualmente, os 3,5 mil quilômetros de rodovias concedidas do Estado têm 78 praças.
Segundo a Artesp, o valor arrecadado pelo governo do Estado com as tarifas é investido na ampliação, modernização, operação e conservação das rodovias.
Dados da agência dão conta de que, do total arrecadado pelo Programa de Concessões Rodoviárias em abril, 37% foram destinados a investimentos nas rodovias; 21% cobriram gastos operacionais; 21% amortizaram empréstimos com seus respectivos juros e 12,55% retornaram ao Estado, via pagamento de ônus das concessões. Seis por cento foram recolhidos para o pagamento de impostos.