O número de roubos a ônibus circular em Bauru demonstra crescimento nas regiões oeste e noroeste da cidade no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Nas últimas duas semanas, cerca de nove roubos aconteceram de forma similar. Os autores levaram pequena quantia em dinheiro, utilizaram facas e agiram no período noturno.
Os roubos a ônibus na região da 3.ª Cia de Polícia Militar, zonas oeste e noroeste, comandada pelo capitão PM Flávio Jun Kitazume, tiveram aumento significativo de um ano para o outro. Nas regiões sul, sudoeste e Centro houve uma pequena diminuição.
No entanto, Kitazume avalia que o roubo a circulares, tradicionalmente, é um crime sazonal. Ele explica que, com a prisão ou identificação dos autores, as ocorrências diminuem. O capitão acrescenta que, ao perceberem que estão sendo monitorados, os criminosos migram para outra modalidade de crime. Ele informa que no Santa Edwirges, bairro que concentra várias ocorrências, os policiais já trabalham com a descrição de suspeitos feita pelas testemunhas.
O motorista Sérgio Morais, 39 anos, foi um dos inúmeros profissionais roubados nas últimas semanas. No caso dele, em menos de dez dias foram dois assaltos na linha Rosa Branca-Vila Tecnológica. Ele conta que, na última segunda-feira, os crimes foram cometidos no mesmo instante, com os marginais saindo de um circular e roubando outro. “Fui roubado, em seguida foi o carro do Jaraguá e havia outro carro lá que tinha sido assaltado na mesma região”, destaca.
Morais avalia que hoje as linhas mais perigosas em relação a roubos circulam pelos bairros Parque Jaraguá, Santa Edwirges, Rosa Branca e Fortunato Rocha Lima.
O motorista Hélio da Silva, 54 anos, foi vítima, na última quinta-feira, de roubo quando um homem armado com faca entrou no circular na Alameda Atenas. Silva conta que esta foi a oitava vez que foi roubado no Santa Edwirges, na mesma linha. Ele faz o trajeto noturno Santa Edwirges-Samambaia e teve R$ 16,00 levados do caixa. O motorista avalia que é necessário policiais à paisana dentro do ônibus, no trecho da avenida Pinheiro Machado até o ponto final do Santa Edwirges, percurso que avalia ser o mais crítico.
Kitazume explica que o trabalho de repressão já contempla esta sugestão do motorista com policiais infiltrados entre os usuários e fiscalização aos ônibus. Além da avenida Pinheiro Machado, o capitão PM diz que há trechos perigosos na rua São Sebastião, no horário entre 20h e 22h. Nos recentes roubos a ônibus, Kitazume destaca o uso de facas, provavelmente, reflexo da repressão a armas de fogo. Ele comenta que os autores, quando não são menores, atingiram a maioridade recentemente.
O delegado do 1.º Distrito Policial, Ronaldo Divino, comenta que um levantamento de ocorrências demonstrou que os roubos acontecem em pontos finais, geralmente isolados e mal iluminados nos bairros Santa Edwirges, Leão 13, Santa Fé, Fortunato Rocha Lima e Parque Sabiá. Diante deste diagnóstico, ele sugere que a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) promova um estudo para a mudança de local dos pontos finais.
Nos dias úteis, passam pelos coletivos de Bauru cerca de 110 mil usuários, sendo que, no período noturno, utilizam o transporte público apenas 10% deste total, conforme dados da Associação das Empresas do Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb). A empresa, por meio de sua assessoria de imprensa, informa que o valor médio dos roubos varia entre R$ 8,00 e R$ 15,00. Desde o dia 5 deste mês, os motoristas passaram a acumular a função de cobrador a partir das 20h, de segunda a sábado. Aos domingos e feriados, a medida vale para o dia todo.
A assessoria ressalta que as ocorrências são notificadas de imediato à Polícia Militar. Dados da empresa demonstram que 70% dos usuários utilizam o cartão eletrônico, que completou este mês um ano de implantação.
Em resposta à recente onda de roubos a ônibus, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário (SindTran), Elias Pinheiro da Silva Pilastri, promete mobilizar a categoria para uma paralisação que não tem data confirmada. “Chegamos a uma situação insuportável. Tem que se tomar alguma atitude.” Hoje, trabalham cerca de 900 cobradores e motoristas nas empresas Bauru Trans, Transporte Cidade Sem Limites e Transporte Coletivo Grande Bauru.