09 de julho de 2026
Economia & Negócios

CIEE terá educação à distância em 2006

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

A partir de 2006, o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) implantará o programa de educação à distância em todas as suas unidades, inclusive Bauru. De acordo com o presidente do Conselho de Administração do centro, professor doutor Paulo Nathanael Pereira de Souza, no Estado de São Paulo o novo formato já está sendo testado com sucesso.

“Já temos 40 mil pessoas interessadas em utilizar o programa de educação à distância, que procuraram o CIEE para saber mais sobre o projeto. Será uma ferramenta maravilhosa e muito simples de usar. O aluno só precisará fazer a inscrição, receberá sua senha de acesso e, então, poderá assistir as aulas pela Internet, de qualquer lugar onde estiver”, diz.

Souza esteve ontem em Bauru, acompanhado pelo superintendente de atendimento do CIEE no Estado de São Paulo, Afonso Lamounier de Moura, e pelo ex-ministro de Infra-Estrutura Ozires Silva, bauruense que integra o conselho da instituição. Na noite de ontem, Silva ministrou a palestra “O empreendedor e o desenvolvimento econômico”, no Teatro Municipal.

Criado há 41 anos, o CIEE é uma instituição filantrópica mantida pelo empresariado nacional. Seu principal objetivo é oferecer a estudantes oportunidades de estágio que os auxiliem a colocar em prática o que aprenderam na teoria. Segundo Souza, 64% dos estudantes que fazem estágio por meio do CIEE são efetivados na empresa.

“Nós percebemos que existe uma fome de consumo intelectual muito grande no País. O aluno sente que precisa de mais informação, mais ensinamentos, e muitas vezes não sabe onde ou como buscar. Por isso, acredito que o projeto de educação à distância será um grande sucesso e uma ferramenta que abrirá muitas portas na vida profissional de muita gente”, observa o presidente do conselho.

Em âmbito nacional, atualmente o CIEE conta com 250 mil estudantes em treinamento em empresas e órgãos públicos. A unidade de Bauru, uma das maiores da instituição, tem cerca de 10 mil estudantes cadastrados esperando por uma oportunidade, e outros 2 mil fazendo estágio.

“Essa quantidade de estudantes cadastrados mostra o potencial que as empresas de Bauru têm à sua disposição. Infelizmente, muitas ainda não utilizam a prática do estágio. Muitos empresários não sabem das vantagens oferecidas a eles, pois ao instituir programas de estágio, estarão constantemente renovando seu quadro funcional. Além disso, a lei federal garante a eles isenção de encargos sociais. Os estudantes têm contribuições importantíssimas para dar às empresas”, observa Moura.

O estágio, devidamente administrado e fiscalizado pelo CIEE, pode ser feito por estudantes regularmente matriculados e com freqüência efetiva em cursos do ensino médio, técnico e superior, além de escolas de educação especial.

Há três anos, o CIEE desenvolve três linhas de apoio aos estudantes: estudo de línguas, informática e postura profissional. “Como um grande número de jovens que nos procuram vem de famílias muito simples, o CIEE organizou cursos de postura comportamental, para que esses jovens possam disputar seu espaço no mercado com os demais concorrentes”, destaca Souza.

Desde a sua fundação, o CIEE já encaminhou mais de 5 milhões de estudantes para estágio.

Desenvolvimento

Em sua palestra, o ex-ministro Ozires Silva abordou a necessidade da sociedade se organizar para buscar o desenvolvimento. “As pessoas reclamam que o Brasil não cresce, que a taxa de desemprego está alta, que a infra-estrutura brasileira precisa de investimentos. Mas quando você quer colher, tem que plantar a semente. Qual a resposta para tudo isso? É a proliferação dos empreendimentos”, aponta Silva.

O ex-ministro diz que é preciso mais mobilização e crença no futuro para mudar o presente e colaborar para o desenvolvimento econômico do País.

“A sociedade precisa se organizar para criar estratégias, analisando as vantagens competitivas que o município possa oferecer. Eu não posso mudar o passado, mas posso formular o futuro. O momento é de reflexão”, ensina Ozires Silva, empreendedor de sucesso que criou a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) e presidiu a companhia de 1970 a 1986 e de 1991 a 1994.