09 de julho de 2026
Esportes

Copa das Confederações: Jornal circula sem capa após derrota

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

O principal jornal de esportes da Argentina, o Diário Deportivo Olé, de Buenos Aires, encontrou uma forma inusitada e, provavelmente, polêmica para noticiar a derrota da Seleção Argentina, anteontem, na final da Copa das Confederações (4 a 1 para o Brasil). O periódico circulou ontem com uma capa sem as tradicionais chamadas, apenas com um aviso irônico, em letras garrafais, informando que por razões técnicas a página não pôde ser impressa.

“Por razones técnicas no se pudo imprimir esta tapa. Disculpen, hasta mañana”. Esta foi a única inscrição na capa do jornal, além de seu logotipo. Habitualmente, o Olé faz primeiras páginas diferenciadas por manchetes pouco tradicionais, em tons que variam do irônico ao mais descontraído. Esta foi a intenção da capa de ontem, segundo explicou ao JC o secretário de redação do jornal, Jorge Mário Trasmonte. “Uma situação especial, que abriu um caminho rupturísta”, disse, apostando na surpresa.

“Não houve reclamações até agora”, afirmou Trasmonte, por volta de 16h de ontem, ao ser questionado sobre a aceitação dos leitores. Ele argumenta que capas com tons inusitados e, por vezes, “patrióticos”, como a de ontem, estão em sintonia com clima descontraído, humorístico e apaixonado que o ambiente esportivo propicia.

O Olé pertence ao grupo que edita o Clarín, um dos maiores e mais influentes jornais portenhos. A seguir, entrevista com Jorge Mário Trasmonte.

JC - Qual é a explicação para a capa de hoje (ontem) do Olé?

Jorge M. Trasmonte - É um dos recursos que temos. No nosso diário fizemos algumas outras coisas que nos marcaram historicamente. É como um meio diferente para algumas situações especiais. E como tivemos uma recepção positiva por parte do nosso público, consideramos que é como um marco da forma como direcionamos editorialmente nosso diário.

JC - Como é o Olé?

Trasmonte - É um diário de esportes, de entretenimento e que tem algumas características que nos dão um sentido de humor. Podemos dizer que é algo irônico, metafórico, uma brincadeira com o nosso leitor. Isso, na verdade, é uma tentativa que fazemos de colocar no mercado novas técnicas, diferenciando a forma de fazer jornal.

JC- Quais são as reações no meio jornalístico argentino?

Trasmonte - Muitas pessoas do nosso meio e outros veículos de comunicação nos criticam por isso. Mas é uma decisão que tomamos e até hoje não tivemos nenhum tipo de má repercussão. O importante é que, dentro da edição, fazemos uma análise com muito rigor e com muita opinião sobre o que aconteceu nos dois jogos. E essa análise inclui um reconhecimento ao adversário que venceu a partida.

JC - Aqui no Brasil a capa de vocês virou notícia e causou diversas reações, a maioria positiva.

Trasmonte - Fico contente por terem recebido bem essa nossa idéia, pois também há a preocupação de que, diante dessa tentativa de descontrair um fato esportivo, pode gerar uma opinião contrária, discutível, limítrofe. Com a intenção de fazer uma brincadeira, poderíamos ser mal interpretados, especialmente em culturas que têm diferentes elementos que nós desconhecemos e que uma coisa que podemos utilizar internamente como uma brincadeira entre duas torcidas rivais, às vezes em um outro lugar da América ou do Mundo não é bem recebida. Acreditamos que é uma tentativa válida de brincar com o assunto.

JC - E as repercussões do resultado do jogo entre os torcedores?

Trasmonte - Para a Argentina, é um drama muito grande perder para o Brasil, que é considerado o grande rival. Mas houve um distanciamento técnico muito grande nesta partida a favor do Brasil.