O empresário Riad Elia Said, diretor-geral da Regional de Bauru do Sindicato da Habitação (Secovi), tem uma visão bastante objetiva quando o assunto é trazer as moradias novamente para a região central de Bauru. “Se criarmos motivos, as pessoas automaticamente voltam para o Centro”, garante Said.
Neste sentido, e outras teses, Said acredita que apenas o surgimento de novos empreendimentos não é suficiente para inverter a tendência de fuga do Centro. “As construtoras constroem para as pessoas, que só voltarão ao Centro se tiverem um motivo para isso”, completa.
Além disso, Said defende ainda a ocupação dos atuais prédios da região por repartições públicas ou instituições de ensino como forma de criar os tais motivos de atração do morador residencial.
Por isso, o empresário não se cansa de defender a instalação do Poupatempo prometido para Bauru no prédio que abriga atualmente o núcleo de produção de sementes da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), da Secretaria do Estado da Agricultura, localizado na confluência da avenida Nações Unidas com a rua Inconfidência.
A proposta do Poupatempo é facilitar o acesso aos principais serviços oferecidos pelo governo estadual, como expedição de carteira de identidade, carteira de habilitação (CNH), Acessa São Paulo, atendimento bancário da Nossa Caixa, entre outros. “Isso (instalação do Poupatempo) atrai população de Bauru e região para o local e incentiva as pessoas que forem trabalhar lá a morar perto. Com isso, cresce o interesse comercial no seu entorno”, calcula Said.
A instalação do Poupatempo no galpão da Cati, aliás, é um consenso entre as pessoas ouvidas pela reportagem. Tanto o coordenador do Grupo Pró-Bauru, Cássio Carvalho, quanto a arquiteta Maria Helena Rigitano, da Seplan, apóiam a iniciativa.
Todos concordam, ainda, que a atração de instituições de ensino também é fundamental para este processo. “Onde tem ensino, o progresso vai atrás, pois o aluno precisa ter um lugar para comer, para dormir ou para morar”, defende Said.
Rigitano diz ainda que a atual administração vem debatendo “bastante” a possibilidade de utilização do antigo prédio da Rede Ferroviária Federal, na praça Machado de Melo, por órgão da prefeitura. “Seria importante a utilização por órgãos que garantissem movimento de pessoas também no período noturno, como os relacionados à cultura (shows e eventos) e à educação (cursos)”, avalia.