09 de julho de 2026
Geral

Serviços essenciais já pesam no bolso

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Não há outra solução. A saída para estancar a sangria nos bolsos das famílias com renda mensal de até R$ 2 mil é fechar as torneiras, apagar as luzes, emudecer o telefone e ativar o bom e velho fogão à lenha. Levantamento feito pelo Jornal da Cidade demonstra que o custeio desses serviços essenciais já corroe cerca de 20% dos rendimentos de uma família composta, na média, por quatro membros.

Mas um outro dado levantado pelo JC assusta ainda mais. Os gastos com os chamados serviços essenciais já significam 40% do que uma família consome por mês com alimentação. Uma família com renda familiar de R$ 1.000,00 tem um gasto de R$ 200,00 com água, luz, telefone e gás e mais R$ 500,00 no supermercado.

A avaliação direta que se faz diante deste quadro é que a despesa com os serviços de manutenção da casa é desproporcional se comparada com a de alimentação, que é um custeio ligado diretamente à sobrevivência das pessoas.

Na avaliação do economista Wagner Ismanhoto, professor da Faculdade de Economia da Instituição Toledo de Ensino (ITE), consumir 20% da renda familiar com contas de água, luz, telefone e gás é um “exagero”.

“Considerando que são serviços ou produtos básicos, você consumir 20% de sua renda, que já é limitada, com esses itens me parece um pouco exagerado. Está evidente que a amostra é pequena e pode distorcer os resultados, porém se considerarmos que existem algumas políticas públicas, cujo objetivo é reduzir o impacto desses serviços/produtos básicos sobre as classes menos favorecidas, o resultados apresentados não demonstram isso”, afirma.

Ele diz que o levantamento demonstra ainda que a sobra da renda para o custeio de outros itens importantes para a sobrevivência da família, como vestuário, transporte, habitação, saúde e educação, fica comprometida.

“Se nós imaginarmos que 20% da renda fica com esses produtos/serviços básicos e mais 50% fica com o supermercado, poderíamos concluir que sobra muito pouco para essas outras necessidades básicas”, analisa.

Ismanhoto comenta que se a família está consumindo metade de sua renda com a alimentaçao é porque o seu padrão de consumo é exagerado, o que para ele não é o que acontece na maioria dos casos, ou a sua renda é muito baixa. “Portanto, podemos concluir que o peso percentual das produtos/serviços básicos continua sendo muito elevado, diante da renda limitada da maioria dos trabalhadores de baixa renda”, conclui.

Para o economista, ao longo do tempo todo os planos econômicos foram penalizando a classe média. ”O que estamos observando agora é que a classe mais pobre também esta sentindo isso mais diretamente. Embora os indicadores econômicos e sociais apontem para uma melhoria na qualidade de vida, e particularmente, acredito que isto esteja ocorrendo, também estamos observando uma dificuldade maior para manter esta mesma qualidade de vida”, diz.

Na opinião dele, o governo precisa criar políticas econômicas para gerar empregos e aumentar a renda dos trabalhadores ao invés de ficar implementando programas sociais emergenciais. “É claro que, a exemplo do elástico, o nosso sacrifício também agüenta uma determinada tensão”, finaliza.

Segundo estudos do Instituto de Pesquisa & Desenvolvimento do Mercado (IPDM), nos últimos 12 meses o serviço que puxou a fila dos aumentos foi a telefonia, que subiu 13,37%. O custeio desse serviço deverá ficar ainda mais pesado com o reajuste de 7,27% anunciado recentemente e que vai entrar em vigor na segunda quinzena deste mês.