08 de julho de 2026
Regional

Pesquisa definiu perfil da gestante

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Trabalho feito por dois médicos da cidade de Lençóis Paulista entre 2002 e 2003 definiu o perfil das adolescentes grávidas no município. Os dados direcionam trabalho preventivo que já surte resultados positivos. No ano passado, não foi registrado nenhum caso gravidez na faixa etária de 10 a 14 anos. Este ano há um caso de uma garota de 15 anos que está no terceiro mês de gestação.

A pesquisa entrevistou 78 jovens que estavam grávidas. Elas foram ouvidas através de questionário, distribuídos nos atendimentos médicos públicos, Unimed e outros. As respostas levaram a concluir, dentre outras coisas, que 24,21% eram solteiras (2002) 25,42% (2003) e tinham menos de 18 anos.

A ocupação principal das adolescentes grávidas, segundo a pesquisa, é estudo com 40,68%. O percentual compete com as sem ocupação com (38,98%). Somente 8,47% delas exerciam atividades remuneradas.

O dado leva a crer que a maioria das adolescentes grávidas não tinham como sustentar seus rebentos e acarretaram mais despesas para seus pais, que passaram a sustentar o bebê.

A renda familiar das gestantes/meninas era, em sua maioria, de até R$ 500,00, as quais representaram 61,02% das entrevistadas. De R$ 500,00 a R$ 1.000,00, 30,50% e acima de R$ 1.000,00, 8,47%.

A média de idade para as amostras de 2002 e 2003 foi de 16 anos, sendo que a gestante mais nova tinha 13 anos em 2002 e 14 em 2003. O nível de escolaridade das mães/meninas foi considerado bom pelos pesquisadores, uma vez que a maioria contava com período de 4 a 11 anos de estudo e que 22,1% tinham até 12 de escolaridade em 2002.

Em 2003 repete-se o mesmo perfil, sendo que 40,68% responderam que continuavam estudando durante a gestação. O resultado remete a outra dado da pesquisa, ou seja, que 30,5% das entrevistadas moravam com a família e esta acabava ajudando a criar a criança para que a mãe não abandonasse os estudos.

A pesquisa apontou ainda que 28,81% delas vivem com o marido ou amásio em lar próprio e 40,68% com marido ou amásio em casa de familiares. Diante da situação social da gestante adolescente, não foi surpresa verificar que 89,23% delas foram atendidas pelo convênio SUS; 9,23 pela Unimed e 1,53 por outros tipos de serviços.

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Meninas

A idéia de fazer uma pesquisa para definir o perfil da gravidez entre adolescentes de Lençóis Paulista surgiu de um trabalho de campo da médica pediatra e coordenadora da saúde comunitária da cidade, Cristina Consolmagno Baptistella.

“Há 23 anos trabalhando como pediatra percebi que as meninas estavam deixando o atendimento pediatria para a ginecologia, para fazer pré-natal.”

Eram meninas que ainda cursavam o ensino fundamental e não estavam com o corpo completamente formado, frisa a médica. “Elas eram adolescentes precoces e já estavam gestando. Isso me preocupou porque estávamos sem saber quais eram os números daqui e só tínhamos os dados de literatura.”

Para colher os dados necessários, a pediatra e o médico sanitarista e membro do grupo de Vigilância Epidemiológica de Lençóis Paulista, José Wilson Gambier Costa, partiram para a pesquisa. “Confeccionamos questionários que eram entregues nas unidades básicas de saúde. As jovens mães respondiam, se quisessem, na sala de espera do pré-natal. Foram ouvidas 78.”

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Meninos

Se enfrentar a gravidez precoce é um problema para a ala feminina, para os meninos não é muito diferente, claro que com exceções. Para prevenir situações embaraçosas e evitar a gestação indesejada, algumas instituições têm programas voltados ao uso de camisinhas e métodos contraceptivos para os garotos.

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai/Lençóis Paulista) mantém no seu planejamento pedagógico a educação sexual. A bibliotecária Marli Montoro explica que todo ano, na semana da Cipat, a médica Irene Alcídia da Costa Andrade profere uma palestra para os novos e os antigos alunos.

O bate-papo, que dura uma hora, sempre se estende, graças ao interesse que o assunto desperta entre os participantes, frisa a bibliotecária. “Temos alunos acima de 14 anos e dois deles já são pais. O interesse deles é grande.”

As informações são resultado de uma parceria entre a escola e a prefeitura. “Eles recebem todo tipo de informação, inclusive de como desenvolver uma tabelinha. A médica mostra a camisinha masculina e a feminina e os vários tamanhos existentes no mercado.”

Além das informações técnicas, a palestrante ressalta a bibliotecária explica a importância do menino assumir a paternidade. “Ela ensina os alunos a se cadastrarem no programa da saúde para receberem camisinha.”