08 de julho de 2026
Regional

Não conheciam o próprio corpo

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

O estudo dos médicos de Lençóis Paulista levou a prefeitura e a Diretoria Municipal de Saúde da cidade a ‘desenhar’ uma ação preventiva. A médica ginecologista e sanitarista Irene Acídia da Costa Andrade foi designada para fazer a orientação. “Constatei que as jovens grávidas tinham a informação, mas era superficial. “Elas não sabiam como funcionava o corpo nem os métodos contraceptivos. Elas tinham notícias que a pílula existia, mas não como se deveria usar.”

A ação educativa orientou as menores. “Eu observei que elas não sabiam o que era dia fértil, precisavam de mais informações. Iniciamos o trabalho pelas escolas municipais, estaduais e particulares. Nas igrejas, comunidades de bairro, Legião Mirim.”

Depois de ensinar o beabá para as meninas, a médica percebeu que a adesão aos métodos anticonceptivos aumentou. Outra observação feita pela ginecologista é que o despreparo da adolescente na hora do parto resulta em cesariana. “Elas ficam desesperadas e partem para a cesária. Há mulheres com 19 anos que estão na terceira gravidez e que cada filho é de um pai.”

Para o médico sanitarista José Wilson Gambier Costa, as ações educativas já surtiram efeitos positivos. “Nós não fizemos levantamento em 2004, mas notamos que a gravidez de 10 a 14 zerou e de 15 a 19 anos caiu de dois a três pontos percentuais.”

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Pensamento mágico

Segundo a pesquisadora Cristina Consolmagno Baptistella, as jovens mães conheciam os métodos anticoncepcionais, mas menos da metade delas faziam uso deles, por acreditar que nunca aconteceria uma gravidez. “Grande parte delas não tinham um relacionamento fixo e na hora da relação não estavam preparadas. Sabiam do risco das doenças sexualmente transmissíveis, mas não faziam a prevenção.”

Para a médica, as mães meninas ainda estavam curtindo o pensamento mágico. “Que é próprio da infância e adolescência. Aquele que tem o escudo protetor. Muitas delas não acreditavam nem mesmo na fertilidade. É a imaturidade que as leva a pensar assim. Percebemos que todas ficaram felizes com a gravidez.”