08 de julho de 2026
Regional

Jaú quer diminuir partos prematuros

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O município de Jaú (a 47 quilômetros de Bauru) registrou em 2004, 1.642 partos. Deste total, cerca de 328 envolveram mães na faixa etária de 10 a 19 anos, o que representou índice de 20%. Para o Secretário Municipal de Saúde, Antônio Marcos Rodrigues, embora o número não seja assustador, é significativo.

Para ele, a gestação na adolescência pode ser sinônimo de mortalidade infantil. “Quando a gente fala em gravidez de adolescentes, é importante lembrar a influência desse fator na mortalidade infantil e materna.”

De acordo com o médico, a adolescente representa uma gravidez de risco, porque ela é imatura do ponto de vista físico e psicológico. “O corpo dela ainda não amadureceu, principalmente dos 14 aos 15 anos. Existe a imaturidade física e psicológica. Como o corpo está em formação, corre-se o risco de anemia e de parto prematuro.”

Dois fatores influenciam nos coeficientes de mortalidade infantil no País. “São os decorrentes da gravidez de adolescentes e das mães idosas, hipertensas, obesas, diabéticas. Esses são grupos de riscos que determinam a mortalidade infantil.”

Enquanto a jovem mãe não tem segurança com relação ao pai da criança, é na maioria dos casos de baixa escolaridade e de classe social baixa, a mãe idosa apresenta outro perfil. “Ela tem renda própria, situação socioeconômica definida e casamento definido. É um antagonismo.”

O secretário explica que na cidade de Jaú, como na maioria dos municípios brasileiros, os óbitos infantis estão intimamente ligados a duas causas. “Partos prematuros e a má formação congênita.”

Para garantir a assistência aos bebês prematuros, o município montou uma estrutura específica. “Na Santa Casa temos um obstetra, um anestesista e um pediatra que assistem essa criança 24 horas. Mantemos uma Unidade de Terapia Intensiva neo-natal infantil com plantonista 24 horas.”

Para evitar os nascimentos prematuros, o município investe no pré-natal. “Para estimular essa mãe a fazer pré-natal adotamos uma política de fornecer fraldas por seis meses para aquelas que cumprirem as sete consultas. “Sendo a primeira delas no primeiro trimestre e as demais ao longo da gravidez, desde que a última seja nos 45 dias que se seguem ao parto.”

Quanto mais pré-natal ela fizer, maior será a chance de não ter parto prematuro. “No ano de 2000, apenas 61% das mães cumpriam as sete consultas. Esse programa começou no final de 2002 e até 2004 saltamos de 61% de cobertura para 86%.”

Mãe itinerante

As mulheres dos cortadores de cana que chegam de todo o País na época do colheita representam 20% dos nascimentos prematuros registrados no município de Jaú, informa Rodrigues. “Passamos a identificar de onde vinha a mãe do bebê prematuro. Observamos que 20% daqueles que ficavam na UTI neo-natal na Santa Casa vinham do Distrito de Potunduva e do bairro padre Augusto Sani. Ambos com população rural flutuante.”

As mulheres que acompanham os maridos no corte de cana chegam sem fazer pré-natal e muito próximo do nascimento do bebê. Essa mãe não é da cidade e não dá para fazer a prevenção.”

A prevenção primária para evitar a gravidez na adolescência em Jaú é feita por uma psicóloga. “Temos programas específicos desenvolvidos por uma psicóloga com grupos de jovens acima de 12 anos, onde se discute a sexualidade, métodos contraceptivos, planejamento familiar e diálogo com os pais.”

Uma vez grávida, a mãe adolescente e as demais podem participar, nas unidades de saúde, do projeto Cegonha. “Existe desde 2001 e oferece acompanhamento pré-natal durante quatro meses às gestantes, que recebem orientações sobre aleitamento materno, cuidados com o bebê e planejamento familiar.”

No final deste período, as participantes são presenteadas com enxovais. A iniciativa é das secretarias municipais de Assistência Social, Saúde e Fundo Social de Solidariedade.

Para o secretário municipal de Saúde de Jaú, Antônio Marcos Rodrigues, dois fatores estão levando as jovens a serem mães bem mais cedo do que de costume. “A falta de orientação da família, especialmente das mães que estão fora de casa, no mercado de trabalho e pela erotização apresentada na televisão.”