O inverno e a música clássica têm o mesmo sabor, pelo menos em Campos do Jordão, cidade localizada a 167 quilômetros da capital paulista que sedia o maior evento do gênero da América Latina. A 36ª edição do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão tem início no próximo sábado, dia 9, e garante três semanas com concertos e apresentações de maestros e músicos renomados mundialmente na mais charmosa cidade serrana de São Paulo.
O tema desta edição é “Música das Américas” e a direção artística ficou a cargo do maestro Roberto Minczuk, pelo segundo ano consecutivo. O festival é uma realização da Secretaria de Estado da Cultura e Centro de Estudos Musicais Tom Jobim, com patrocínio da TIM, Sabesp e Bradesco Prime.
Serão 44 espetáculos e concertos em 23 dias, destacando a música produzida no continente americano, com peças de Heitor Villa-Lobos, Aaron Copland, George Gershwin, Astor Piazzolla, Leonard Bernstein e Carlos Gomes, entre outros - inclusive com compositores de outros continentes.
Em carta no site oficial do festival, o maestro Minczuk destaca o salto de qualidade obtido pelo evento em termos de programação e também em seu projeto pedagógico. “Para que esse conjunto de realizações e projetos tomassem vida, foi, é, e continuará a ser imprescindível a inestimável ação do Governo do Estado de São Paulo, bem como dos nossos patrocinadores e apoiadores, que nos permitiram ampliar ainda mais as atividades em 2005”, aponta.
A 36ª edição do evento acentua a renovação implantada no ano passado por Minczuk, com o especial resgate do caráter clássico da programação e a ampliação do Corpo de Artistas Residentes, músicos que ministram aulas e masterclasses para os bolsistas do festival, integrantes da Orquestra Acadêmica.
Minczuk, com 38 anos, é considerado um dos mais conceituados regentes do Brasil e será diretor artístico e regente titular da Orquestra Sinfônica Brasileira do Rio de Janeiro, a partir de agosto, de acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Cultura. Entre outros trabalhos, o maestro já regeu as filarmônicas de Nova York, Los Angeles, Londres e Filadélfia, a Orquestra Nacional de Lyon e a Royal National Scottish, as sinfônicas de St. Louis, Atlanta, Detroit e Ottawa e a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Em 2002, ele foi convidado a assumir o posto de regente associado da Filarmônica de Nova York, cargo ocupado pela última vez por Leonard Bernstein.
América
O diretor artístico do festival destaca a importância da escolha do tema para as atrações deste ano. “‘Música das Américas’ é um tema que, para nós, tem um sabor especial: todas as cores e temperos das Américas do Sul, Central e do Norte serão explorados durante as três semanas do Festival, afinal, o que não falta deste lado do Atlântico é criatividade e originalidade”, comenta Minczuk, no site oficial do evento.
No texto, ele ressalta ainda a influência da cultura popular na música clássica dos três continentes, do samba ao jazz, passando pelo tango e até mesmo as trilhas de cinema. “Todos esses gêneros receberam nas Américas um tratamento especial, conferindo-lhes novos aspectos e gerando uma música absolutamente única. Foi assim que jóias criadas por gênios como Villa-Lobos, Gershwin e Ginastera mostraram ao Velho Mundo um repertório que conquistou o planeta, e que ainda tem muito a ser explorado e divulgado”, frisa o maestro.
Entre os destaques da programação, se apresentam exclusivamente em Campos do Jordão Kurt Masur (que regerá a Orquestra Acadêmica do Festival), Beaux Arts Trio, Arnaldo Cohen, Jean-Louis Steuerman, Antônio Meneses, a Camerata Bariloche, Manuel Barrueco, a Orquestra Jovem de Long Island e Almeida Prado, compositor residente deste ano, entre dezenas de grandes músicos.
Outra atração do festival será a montagem da ópera “A Queda da Casa de Usher”, do americano Philip Glass, com libreto de Arthur Yorinks, baseado no conto de Edgar Allan Poe, com regência de Roberto Minczuk, e um seleto grupo de cantores, tendo à frente Rosana Lamosa, Fernando Portari e Paulo Szot.
Crescimento
Após algumas edições com foco desvirtuado e a ausência de atrações de renome mundial, o Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão retomou sua proposta, cresceu e já se consagra como o maior evento deste gênero da América Latina. A retomada da qualidade e do caráter clássico foi possível apenas pela injeção maciça de patrocínio, no processo que beneficia o festival e permite às empresas associarem sua marca a um evento cultural de grande importância.
Na opinião de Roberto Sagot, gerente de marketing da TIM-SP, patrocinadora do Festival de Inverno, a marca ganha não só visibilidade, mas também se conceitua com os consumidores ao ser atrelada ao evento, especialmente ao público formador de opinião presente em Campos do Jordão durante os concertos. A empresa não divulgou o investimento no evento.
* O jornalista Diego Molina viajou a Campos do Jordão a convite da TIM