08 de julho de 2026
Cultura

‘Vagabundo’

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

O samba de Pedro Luís e a Parede e a brasilidade de Ney Matogrosso ecoarão hoje à noite no ginásio do Serviço Social do Comércio (Sesc) em Bauru, onde eles apresentam o elogiado show “Vagabundo”.

O espetáculo foi batizado com o nome do CD homônimo que reúne a banda carioca e o cantor, um dos grandes ícones da música brasileira. A mistura, aliás, já rendeu ao grupo, além de ótimas críticas, o Prêmio Tim de Música 2005, na categoria pop rock.

Depois da estréia no Rio de Janeiro, há cerca de um ano e meio, o show já percorreu as principais capitais brasileiras e foi apresentado em Portugal. A turnê se estende, no mínimo, até setembro. Segundo Ney, em entrevista ao JC Cultura ontem, na apresentação de hoje não haverá surpresas. “É o mesmo show desde que a gente estreou no Rio. Está pronto e a gente viaja com ele”, antecipa.

No set list, apenas sete músicas fogem às 14 faixas do CD. O público poderá conferir canções como “Seres Tupy”, do repertório de Pedro Luís e a Parede, e “Napoleão”, da carreira de Ney. Há também novas leituras para “O Mundo”, de André Abujamra, “Assim Assado”, dos Secos e Molhados, e “Disritmia”, de Martinho da Vila, entre outras.

“Além das músicas do CD, tem ‘Balada do Louco’, ‘Caio no Suingue’, ‘Notícias do Brasil’... Tem ‘Fé Cega, Faca Amolada’, ‘Sangue Latino’... Não vou me lembrar de todas”, conta Ney Matogrosso.

O espetáculo reúne os músicos Mário Moura (baixo e percussão), Sidon Silva (percussão), C.A. Ferrari (percussão) e Celso Alvim (percussão) - A Parede - e os convidados Ricardo Silveira (guitarra), Pedro Jóia (violão e alaúde árabe) e Glauco Cerejo (sopros).

O figurino de Ney é de Ocimar Versolato. Helena Gastal assina os de Pedro Luís, dos músicos da Parede e convidados. O cenário é do artista plástico Cabelo, com animação de Cafi, e a iluminação é criação de Ney Matogrosso e Juarez Farinon.

Avaliação

Ney mostra-se bastante satisfeito com o resultado da parceria. “Tem sido o melhor possível. Estamos há mais de um ano e meio fazendo ele (o show) sem parar. Ainda temos uma agenda que vai até setembro”, salienta.

Ele não descarta a idéia de voltar a fazer shows com Pedro Luís e a Parede após o término da turnê. “Naturalmente, vai chegar um momento em que vai diminuir a demanda e depois cada um vai para o seu lado fazer seu trabalho. Mas não estamos fechados. Mesmo que diminua isso e que eu comece a fazer o meu trabalho e eles o deles, temos disponibilidade para o ‘Vagabundo’. Sempre que houver demanda nós faremos”, afirma.

Ele nega a existência de outro projeto com a mesma parceria. “Não viramos uma dupla. Isso é um trabalho que deu muito certo e vamos tocando nossa vida”, diz.

Paralelamente aos shows, Ney trabalha no projeto “Canto em Qualquer Canto”, cujo CD deve ser lançado em agosto. “Nele, eu me apresento com quatro violonistas”, explica. Para 2006, pretende gravar novo um álbum solo. “Estou ouvindo repertório, mas ainda não sei o que vai ser”, confessa.

O cantor, que já se apresentou em Bauru ao longo de sua carreira, conta que gosta da receptividade do público do Interior de São Paulo. “Já fiz muito Interior de São Paulo. Antigamente, fazíamos um mês só de Interior de São Paulo, que eu conheço muito bem. Os shows são muito legais nessa região.”

• Serviço

Ney Matogrosso e Pedro Luís e a Parede, hoje, às 21h, no ginásio do Sesc. Ingressos esgotados. O endereço é avenida Aureliano Cardia, 6-71. Outras informações pelo telefone (14) 3235-1750.

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Histórias

Ney de Souza Pereira nasceu em 1941 no Mato Grosso do Sul. Serviu a aeronáutica, atuou em programas de televisão, fez peças de teatro e virou hippie. Até que conheceu João Ricardo, que precisava de um cantor de voz aguda e chamou Ney para ser o vocalista do grupo. Ali começou o Secos e Molhados, grupo que fez sucesso no início dos anos 70. Em 1975, Ney estreava uma carreira solo que, após enfrentar muitos preconceitos, o consolidou como um dos grandes nomes da música brasileira.

Já Pedro Luís escreveu músicas para Ney Matogrosso, O Rappa e Fernanda Abreu e foi no comando do grupo Pedro Luís e a Parede que se projetou no País e internacionalmente. O grupo tem uma formação inusitada, com o vocalista Pedro Luís, um contrabaixista e três percussionistas. Em 1997, lançou o álbum “Astronauta Tupy”. Mais tarde, vieram os CDs “É tudo 1 real” e “Zona Progresso”.

Ney já tinha gravado composições de Pedro Luís e dava canjas em shows do grupo. Em um deles, a canja foi maior do que o esperado e o público aprovou. Eles resolveram investir na idéia, que virou sucesso de público. Haja vista o show de hoje, cujos ingressos estão esgotados.

Da Redação