A morte ontem de Marcos Vinícios da Silva, 1 ano e meio, vítima de broncopneumonia, conforme atestado de óbito, fez a família levantar a suspeita de atendimento médico inadequado no Pronto-Atendimento Infantil (PAI) da Prefeitura de Bauru. O pai do garoto, Valdecir Soares Inácio, alega que não encontrou na rede pública municipal alguns medicamentos prescritos pela médica que atendeu o menino na sexta-feira, por volta da 10h20.
Inácio disse ontem, durante o velório da criança, que pretende acrescentar no Boletim do Ocorrência registrado no 1.º Distrito Policial que a família não encontrou os medicamentos nas unidades de saúde da Prefeitura. Segundo ele, isso teria agravado o quadro de saúde de Marcos Vinícios, levando-o à morte.
A chefe do setor de pediatria do departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, a pediatra Sandra Caldeira Veloso Cariello, garante que o antibiótico amoxicilina, o ambrosal e soro nasal, que não teriam sido encontrados pelo pai, são fornecidos nas unidades básicas de saúde da Vila Falcão e Vila Dutra, próximas da moradia da família, na Vila Industrial, e acrescenta que o responsável pelo menor poderia ter procurado os medicamentos na unidade do Serviço Único de Saúde (SUS), anexa ao PAI.
Cariello descarta a hipótese de negligência médica e avalia que o procedimento adotado foi correto. “Da parte médica não houve falha. A família não deu o remédio e também não retornou à unidade nas primeiras 24 horas. A criança foi a óbito quase 72 horas após a consulta. Eu considero que houve negligência, mas por parte da família”, afirma.
O garoto foi consultado, fez raio-X dos pulmões e, segundo o pai, medicado com dipirona, único remédio que diz ter encontrado na UBS do Centro. Na seqüência, o paciente foi liberado para a continuidade do tratamento em casa. Inácio entende que o filho teria de ser internado. “Acho que, se viu que poderia, morrer teria de internar.”
Entretanto, Cariello avalia que nem todos os casos de pneumonia são para internação. Conforme a chefe do setor de pediatria, a médica que atendeu a criança constatou que naquele momento ela não apresentava quadro para internação.
“Sempre se orienta que é para retornar se o paciente não melhorar.” Ela acrescenta que não há espaço na enfermaria para internar as crianças que não apresentam estado de saúde para a medida. Como pediatra, Cariello não tem dúvidas em aprovar o procedimento de tratamento residencial prescrito pela médica. “O menino não estava ruim a ponto de necessitar de uma internação. Poderia em primeira instância tomar a medicação em casa”, assegura.
Inicialmente, o BO registra que a criança teve morte natural. O delegado do 1º Distrito Policial, Elizeu de Freitas Costa, diz que irá colher o depoimento dos pais e aguardar a apresentação da cópia do atestado de óbito para efetuar qualquer mudança no registro dos fatos.
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Evolução rápida
Das 300 consultas diárias no Pronto-Atendimento Infantil (PAI), cerca de 16% apresentam quadro de broncopneumonia (veja sintomas abaixo). Conforme Bernardete Fátima da Silva, mãe de Marcos Vinícios da Silva, 1 ano e meio, o menino foi encaminhado ao PAI com febre alta na sexta-feira passada. No dia seguinte (sábado), o quadro não se alterou. Ela conta que a criança não comia, reclamava de dor e mamava muito pouco, apesar da febre ter baixado. No domingo à noite, o garoto mostrava-se muito pálido e com o corpo mole.
Ela conta que na madrugada de ontem acordou e o garoto estava quieto. Pela manhã, o pai, Valdecir Soares Inácio, acordou as filhas para irem à escola. Neste momento observou que Marcos estava morto. Uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) levou a criança para o Pronto-Socorro Central.
Inácio tem três filhos de um outro casamento e com Silva eram mais três. A avó, Fátima Bento, não se conforma com a morte do neto. A mãe avalia que se o garoto não morreria se tivesse sido internado. A criança foi velada ontem na residência da família, na Vila Industrial e seria enterrada hoje, às 9h, no Cemitério do Jardim Redentor.
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A doença
Sintomas
• Febre alta
• Dificuldade para respirar
• Reclamação de dor
Procedimento
• Consulta médica
• Dos 300 casos diários atendidos no PAI, 50 envolvem pneumonia
Fonte: Setor de pediatria do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde