08 de julho de 2026
Bairros

Pousada teme falta de transporte para voltar do PS

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Três dias após o fechamento dos Pronto-Socorros do Mary Dota e Ipiranga, os moradores da Pousada da Esperança já projetam dificuldades de locomoção de pacientes para retornarem aos bairros após serem atendidos no Pronto-Socorro Central, onde está concentrado o serviço de urgência e emergência do município. Desde a noite de sexta-feira, as duas unidades passaram a funcionar como Unidade Básica de Saúde (UBS) e uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu/192) transporta os que necessitam do serviço para o prédio do Centro.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, por meio da assessoria de imprensa da prefeitura, os pacientes que realmente necessitarem de transporte para suas residências terão o serviço, que já é prestado atualmente pelas ambulâncias da prefeitura. Porém, cada caso será averiguado após o atendimento do PS através do serviço de assistência social.

Maria Aparecida Martins Cardoso é uma das moradores do Pousada da Esperança 1 que antevêem dificuldade de locomoção do PS Central para o bairro. Mãe de Welington Martins Cardoso Pinheiro, 29 anos, portador de deficiência mental que depende de atendimento de urgência por apresentar crises agudas seguidas de desmaio, ela não sabe como fará para trazê-lo da unidade central para casa. “Por isso não concordo com o fechamento do PS do Mary Dota”, afirma.

Cardoso reclama que o filho não tem condições físicas para voltar de ônibus, pois a medicação exige tempo de recuperação. O pai do rapaz, Wilson Cardoso Pinheiro, reclama da “desordem na saúde” em Bauru. Ontem, ele ficou indignado ao chegar no Núcleo de Atendimento Psicosocial (Naps) com o filho e saber da transferência de uma consulta médica das 10h para as 13h.

Outra moradora reclamante é Márcia Aparecida Cândido. Ela é mãe de um recém-nascido e mais três crianças (de 3, 7 e 12 anos) e está preocupada em como retornar do PS Central quando precisar de atendimento de urgência para eles, já que após as 23h30 não encontra mais ônibus para sua residência, na Pousada da Esperança. “Antes, mesmo sem circular, quando necessário vinha a pé do Mary Dota. Não sei como será agora”, explica.

Em razão de histórias como a de Maria e Márcia, o presidente da Associação de Moradores da Vila São Paulo, José Bonifácio Souza Lima, diz que os moradores pretendem tomar alguma atitude em relação ao fechamento do PS no bairro vizinho. “Vamos formalizar um abaixo-assinado, que será o início da mobilização do bairro”, assegura.

Os moradores da Pousada da Esperança se reuniram ontem com representantes da associação de moradores para discutir o reflexo do fechamento do PS do Mary Dota, problema que, avaliam, irá atingir os moradores do Colina Verde, Jardim Ivone, Nova Bauru, Vila São Paulo, Pousada 1e 2, Mary Dota e Jardim Pagani.

A UBS do Mary Dota abriu ontem com movimento bastante tranqüilo. A usuária Lurdes Benedito de Souza estava em uma pequena fila para agendar consulta com o clínico médico para o marido Benedito de Souza. Ela comenta que a nova realidade com atendimento de urgência e emergência concentrado no PS Central exige “paciência” dos familiares e pacientes.

A jovem mãe Juliana Pelegrine aguardava o agendamento para agosto do retorno do filho Iago Vinícios de Azevedo, de 11 meses, que havia acabado de sair da consulta de rotina com o pediatra. Ela também engrossou o coro dos que reclamaram da dificuldade de locomoção do Centro para o Mary Dota.

A chefe da (UBS) do Mary Dota, que não quis se identificar, descartou comentar as mudanças. Apenas explicou que estava funcionando com o atendimento escalonado por horário, com os pacientes previamente agendados. A unidade atende das 7h às 21h com clínica geral; e das 7h às 19h, com serviços de ginecologia e pediatria.

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Impacto reduzido

A primeira segunda-feira com o Pronto-Socorro Central concentrando os atendimentos de urgência e emergência que migraram dos PSs Mary Dota e Ipiranga causou aumento pouco significativo de pacientes na unidade. Os PSs foram fechados por falta de médicos para atender 24 horas.

Em comparação à demanda de segunda-feira passada (dia 27 de junho) com a de ontem houve um crescimento de 5% no número de pacientes que passaram pelo local até as 16h30, conforme levantamento da Secretaria Municipal da Saúde, de 381 para 397 consultas.

No caso do Pronto-Atendimento Infantil (PAI), houve queda no número de atendimentos, de 231 no dia 27 de junho para 205 ontem. A demanda também não aumentou no Pronto-Socorro do Bela Vista, onde foram realizadas 160 consultas até as 16h30 de ontem, número considerado normal pela SMS.

Uma ambulância será mantida em cada unidade durante todo o dia. No período das 21h às 7h, as unidades do Mary Dota e Ipiranga passam a ser bases do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). No entanto, para acionar o Samu a população deve ligar no 192 e não comparecer diretamente aos prédios.

Da Redação