09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Anos Dourados


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Quem costuma ler os cadernos dominicais do JC pôde, na última edição de domingo, conferir a matéria “Centro quer (re) viver” apresentada no suplemento “JC nos Bairros”. A abordagem principal do caderno tratou, sobretudo, do esvaziamento da área central no período noturno. Contudo, talvez tenha havido uma ponta de saudosismo nessa história toda.

Ao meu modo de ver, o Centro de Bauru nada mais é do que reflexo direto das profundas mudanças econômicas e sociais pelas quais o País viveu e seguramente viverá. Precisamos, sim, tentar mudar o presente, mas sem negar o passado. Bauru não fugiu à regra do resto do mundo moderno que se baseia no atual sistema econômico há tempos sufocado. Não quero propor aqui a solução mágica para todos os problemas sociais, nem tampouco entrar no mérito da questão, apenas contextualizar um tema que merece ser discutido.

A realidade urbana do Centro não é bonita, como também não é bonito o resto das periferias ignoradas pela prefeitura. O Centro noturno é reduto principalmente de velhos problemas comuns numa região periférica como o tráfico de drogas, a prostituição e a violência. Esses são alguns dos percalços que uma sociedade muito desigual traz.

Marco Antonio Ramos de Almeida, presidente executivo da Associação Viva o Centro, organização não governamental (ONG), entende que o governo deve fazer o plano, o investidor investir e a inteligência acadêmica pensar. Entendo que as ações estão corretas, porém o seu foco não.

Uma cidade não é feita apenas pelo Centro. Se queremos um Centro melhor ou uma cidade melhor devemos mudar o retrato geral, agir de forma conjunta com o povo, pelo povo e para o povo. Assim, num futuro não muito distante, talvez nos tornemos verdadeiramente uma sociedade.

Lê Ferreira