Mais de 4 mil pneus de carro foram colocados na calçada da quadra 5 da rua Sebastião Ferraz da Costa, na Vila Saão Paulo, entre ontem e anteontem. O material estava em dois imóveis do bairro há pouco mais de um mês, desde que foi retirado do Sambódromo por representar risco de tornar-se criadouro do mosquito transmissor da dengue. Até ontem à noite, os pneumásticos estavam na via pública, próximo a duas escolas.
O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), que determinou a retirada dos pneus da passarela do samba e na época emitiu um auto de infração, agora promete multar o dono do material. O ajudante geral Gidiel Eduardo da Silva, que estava guardando os pneus para o empresário Tony Ibanhez, resolveu colocá-los na calçada.
Eles estão amontoados em frente à Emei Professora Catharina Paulucci, que fica ao lado da escola estadual Carlos Chagas. Silva alega que estaria guardando o produto para Ibanhez por um prazo de 15 dias, mas que já se passaram 36 dias sem que o proprietário defina uma destinação para o material.
No último dia 24, Silva foi notificado pelo CCZ, que determinou a imediata retirada dos pneus do lugar. O coordenador do Programa de Controle da Dengue do CCZ, Flávio Tadeu Salvador, diz que hoje Ibanhez será multado e tem prazo de 15 dias para recorrer ou solucionar o problema.
Se neste prazo não for dada uma destinação definitiva para o produto, o valor da multa dobra. O valor da penalidade será arbitrada entre leve, grave e gravíssima variando de R$ 400,00 a R$ 2.500,00. Conforme Salvador, a decisão da direção do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) é pela multa, pois apenas se mudou o problema de lugar. “A coisa está meio complicada porque não existe muito boa vontade de resolver o problema”, argumenta.
A multa desarquiva o auto de infração aplicado em Ibanhez no início de junho, quando o empresário transferiu os 4.100 pneus do Sambódromo para a Vila São Paulo por determinação do CCZ. Acondicionados em um terreno baldio e no quintal da casa de Silva descobertos, os pneus podem se transformar em criadouros do mosquito transmissor da dengue. Neste ano, foram registrados 35 casos da doença na cidade.
Salvador diz que conversou com Ibanhez na sexta-feira passada e ele garantiu ter alugado o terreno coberto para guardar os pneus. Ibanhez argumentou que o proprietário do imóvel retirou a cobertura quando os pneus foram depositados nos locais.
Ibanhez chegou a pedir prazo a Salvador por conta da realização de um novo evento no Sambódromo que usaria os pneus. Entendendo que o empresário reincide no mesmo problema, o DSC descartou a aplicação de inseticida nos pneus porque a medida seria paliativa e optou pela multa.
À reportagem do JC, Ibanhez disse ontem que providenciará a remoção dos pneus num prazo de cinco dias. Ele não soube informar para que local será enviado o produto. Quando o material começou a ser colocado na rua, anteontem, os moradores se alarmaram e acionaram o CCZ. Uma vizinha da escola, que preferiu não se identificar, disse que os moradores estão preocupados com a doença.
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Pneus sem rumo
Junho
Dia 2
• Lote retirado do Sambódromo vai para terreno baldio e quintal de residência na Vila São Paulo
Dia 24
• Proprietário dos imóveis é notificado pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ)
Julho
Dias 5 e 6
• Proprietário dos imóveis deposita pneus em frente à Emei Professora Catharina Paulucci, na quadra 5 da rua Sebastião Ferraz da Costa
• Dono dos pneus promete remoção do lote em cinco dias
Dia 7
• CCZ anuncia que vai multar o dono dos pneus; ele tem 15 dias para recorrer ou solucionar o problema
• Valor da multa varia entre R$ 400,00 e R$ 2.500,00