08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Que País é este?


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No dia 30/6/2005, ao concordar integralmente com a matéria veiculada nesta tribuna no dia 28/6/2005 - de autoria do radialista e escritor Carlos Cardoso e que trazia este título -, fizemos algumas comparações tímidas entre a atual conjuntura econômica/social com o período do regime militar. O que já se previa era agitar as lombrigas de algumas pessoas.

É claro que não sou nenhum analista político, apenas vivi integralmente aquele período e tenho percebido que, depois do militarismo até hoje, os nossos governantes vêm “tropeçando nos cabelos das próprias pernas” com suas experiências mirabolantes de modelos econômicos, cujo resultado prático nestes últimos 20 anos foi o aumento da carga tributária nas costas do sofrido povo brasileiro. E o retorno continua, sendo a inflação disfarçada e a grande distribuição de miséria de sempre.

O País cresceu nestes anos? Claro que cresceu! Mas não foi graças aos senhores Sarney, Fernando Collor, Itamar, Fernando Henrique ou Lula. A economia mundial expandiu. Os especialistas chamam isto de globalização, e graças à assimilação e ao arrojo dos empresários, agricultores e pecuaristas brasileiros. Ou seja, o setor produtivo brasileiro, apesar dos bancos e destes governos, vem mostrando sua força com muito trabalho e grande competência, fortalecendo assim a nossa economia, embora o resultado só tenha servido para suportar “malemá” a dívida pública e a corrupção. O povo? Dane-se!

Quando eu falo do militarismo brasileiro, sr. Marcos Silvestre, não me refiro à assassinos! Sejam civis, militares ou nazistas. Refiro-me ao programa de governo, principalmente das grandes obras de infra-estrutura que foi o seu grande legado, e que realmente possibilitaram a expansão natural da nossa economia. Refiro-me também à distribuição de empregos, educação, saúde e segurança pública.

Quanto a assassinatos, não sei avaliar o que foi pior. Se a morte do jornalista revolucionário, o iugoslavo Wladimir Herzog, que o senhor afirma ter sido vítima da ação direta das autoridades militares, ou a do jornalista investigador brasileiro Tim Lopes, trucidado por omissão direta das autoridades democráticas!

Quanto à exterminação de seres humanos em massa, sr. Marcos Silvestre, também não sei avaliar qual a pior. Se foi o genocídio contra o povo judeu provocado pelos nazistas alemães no passado, ou o genocídio contra o próprio povo brasileiro provocado pela fome, pela miséria e pela violência desenfreada patrocinada também pela omissão das autoridades democráticas brasileiras no presente!

Lembra-se da reportagem recente na televisão, que mostrou dezenas de crianças indígenas no Mato Grosso estão morrendo de fome no colo das mães e a comida se estragando nos depósitos da Funai ali pertinho? Lembra-se daquela senhora do Nordeste que morreu de inanição em plena distribuição do “mensalinho” Fome Zero, que foi desviado para os amigos dos governinhos democráticos da região? Isto foi apenas o que mostraram!

Quanto à política do momento lá em Brasília, as coisas acontecendo nas barbas do presidente Lula, (que não sabe de nada!), ouvi um comentário bastante consistente durante as denúncias do deputado Roberto Jefferson, que afirmou com muita propriedade: “O PT nunca teve um programa de governo, mas sim um projeto de poder”. Isto é perigoso! Mas vamos continuar acompanhando.

Enquanto existir a banda podre nos poderes constituídos, enquanto os “donos” da República dos Três Poderes não tiverem a consciência dos “Três Deveres”, tenha a certeza de que um dia o bicho vai pegar, porque o Brasil é bem maior do que toda esta camarilha. Se for militar, que venha devidamente paramentado com ferradura, rabo-de-tatu e pelourinho, se possível em praça pública para não deixar dúvidas, não contra inocentes, mas sim contra os canalhas!

Roberto Di Ruzze - RG 6.731.590