08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Tudo passa


| Tempo de leitura: 3 min

Logo após os funerais do Papa João Paulo II criou-se uma expectativa muito grande em relação a qual Cardeal seria escolhido para ser seu substituto. No mundo todo havia expectativa, apreensão, até apostas eram feitas, vários candidatos possíveis, torcidas, esperança e, finalmente, a fumaça branca aparece e o mundo, principalmente católico, festeja a escolha do novo Pontífice: o Cardeal Ratzinger, Papa Bento 16. Motivo de alegria para a maioria, mas também de espanto e desalento para alguns, principalmente para autoridades da Igreja Latino-Americana e até autoridades religiosas brasileiras, que segundo artigos em jornais e na Internet, esperavam por um papa mais progressista e antenado com as mudanças do mundo e não um conservador, tal qual o papa antigo.

Pois bem, têm-se aqui, novamente, as palavras conservador e progressista, o desalento de alguns em relação às opiniões e posições de Ratzinger, conservador, alguém que “será difícil de se amar“ como disse Leonardo Boff, inventor da Teologia da Libertação e que foi condenado ao silêncio obsequioso pelo próprio Ratzinger, e até declarações mais ásperas, como a de Frei Betto, que declarou ser “perigoso a Igreja virar as costas para o futuro”. Respeitando-se a opinião pessoal de cada um, eu particularmente, como católico, me vejo espantado por tais manifestações, principalmente vindo de pessoas preparadas e escolhidas por Deus para uma vida dedicada à evangelização dos povos e às lutas contra as injustiças sociais. É lógico e nítido que o mundo caminha para frente, que as coisas mudam, que os tempos são outros etc, etc, etc. No entanto, como diz belamente uma canção católica, tudo passa, menos a Palavra de Deus, seus mandamentos.

Desde os primórdios da criação até os dias de hoje, passando pelo nascimento, paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo e até enquanto durar o mundo, essas palavras e essas leis não mudam, não precisam se atualizar, não vão passar a ser progressistas. São leis eternas e eterno deve ser seu cumprimento, sua observância, sua vivência na nossa vida e no nosso dia-a-dia. Agradeço a Deus por ter iluminado os Cardeais que, no conclave, elegeram o Cardeal Ratzinger para ser o novo papa, e sendo sempre da vontade de Deus as escolhas, teremos sempre não a escolha de conservadores, mas sim a escolha de homens fiéis a Deus, a seus mandamentos e à sua missão de orientar o rebanho na direção correta, afinal, são palavras de Jesus aos discípulos: quero vocês no mundo, mas sem pertencer ao mundo. Ou seja, vivemos neste mundo, somos parte dele, mas devemos pertencer a Deus, e pertencer a Deus é, justamente, viver neste mundo aclamando todas as leis de Deus e renegando tudo aquilo que não for de Deus e nos desviar de um caminho de luz em direção ao Reino Eterno e definitivo.

Para encerrar, me recordo da passagem Bíblica sobre a destruição de Sodoma e Gomorra, quando Abraão, pouco antes, orava a Deus e pedia pelo povo daquelas cidades, ele perguntava ao Senhor: ‘Se tiverem 50 justos na cidade, poupa ela“, e o Senhor dizia sim. E se tiverem 45, 40 e assim por diante, até chegar a dez. “Senhor, se tiver dez justos na cidade, poupa ela”. Sim, diz o Senhor, e Sodoma e Gomorra foram destruídas. E que Deus possa cobrir de bênçãos o Papa Bento 16, que sua luta seja para conduzir a igreja de Cristo pelos preceitos de Deus e que o povo, cada vez mais, aprenda a amar, perdoar, evangelizar e ser de Deus, viver para Deus. Seja o tempo que for, com as mudanças que forem, lembremos sempre que tudo passa, menos as palavras de Deus.

Ricardo Caversan - RG 19.423.729