10 de julho de 2026
Geral

Apenas dois bolsistas do ProUni abandonam curso em Bauru

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 5 min

Os bolsitas do Programa Universidade Para Todos (ProUni) em Bauru ainda têm muito estudo pela frente até conquistar o certificado de conclusão de ensino superior, mas estão confiantes que vão concluir o curso. Terminando o primeiro semestre letivo, apenas dois dos 509 estudantes que iniciaram o semestre com bolsas integrais e parciais do governo federal em Bauru abandonaram os estudos, o que representa 0,39%.

O Ministério da Educação (MEC) ainda não tem dados nacionais da evasão. Porém, as seis instituições de ensino superior de Bauru conveniadas ao programa federal para o ProUni informaram que a média de evasão no primeiro ano é de 8% a 10%. Se a evasão do ProUni ficou abaixo da média, por outro lado, 49 bolsas - 43 na Universidade Paulista (Unip) e seis na Instituição Toledo de Ensino (ITE) deixaram de ser usadas porque os alunos aprovados pelo programa não chegaram nem a fazer matrícula (leia mais abaixo).

Na Universidade do Sagrado Coração (USC), no Instituto de Ensino Superior de Bauru (Iesb), na Unip e na ITE nenhum dos bolsistas que começou as aulas abandonou o estudo. Adriana dos Santos Caetano, 18 anos, está no primeiro ano de odontologia na USC graças ao ProUni. “Eu sempre quis fazer odontologia, mas como não teria condições de pagar o curso, aproveitei a bolsa do ProUni. Se não fosse assim, teria de passar em uma universidade pública”, comenta ela que tem bolsa integral.

Já em férias, Adriana conta que mesmo sem pagar mensalidade gasta cerca de R$ 300,00 por mês com livros, materiais necessários para aula e transporte. “Mas está valendo a pena, estou gostando do curso e a qualidade de ensino é muito boa”, opina ela que tirou boas notas no primeiro semestre. “Sempre fui estudiosa”, relembra.

Entre os beneficiados pela bolsa de estudo, apenas um aluno deixou o curso na Faculdade Fênix e outro nas Faculdades Integradas Bauru (FIB). Thiago Henrique Longo, 18 anos, que abandonou a bolsa no Fênix, conta que não teve outra opção.” Eu não consegui conciliar dois cursos, o de magistério, que estou terminando, e o de gestão de marketing, que passei no Fênix. Faltou tempo”, explica.

Morando em Arealva, ele conta que acorda às 5h para tomar o ônibus e fazer o curso de magistério, que é integral, em Bauru. Quando conseguiu a bolsa do ProUni, ele ficava para as aulas do outro curso, à noite. “Eu tinha bolsa integral, queria fazer o curso, mas não deu. Eu saía 5h de casa e estava chegando de volta só à meia-noite. Então optei por terminar o curso de magistério, que só falta este ano”, comenta.

Reaproveitada

Mas a vaga de Longo rapidamente foi ocupada por outro bolsista, o vendedor Eduardo Carrara Deladonio, 21 anos. “Eu consegui a bolsa, mas não fechou turma para o curso que eu havia escolhido. Então, ofereceram a vaga em gestão de marketing, deixada por um aluno que saiu do curso. Era a oportunidade para eu fazer um curso superior e estou achando a qualidade de ensino ótima”, atesta.

Para Deladonio, o aluno bolsista é até mais dedicado que os demais. “A responsabilidade é maior porque sabemos que é uma oportunidade única”, frisa ele que terminou o ensino médio em 2001, mas não tinha condições financeiras para pagar um curso superior. “Acho que no ano que vem, como agora o ProUni está mais conhecido, a concorrência será grande”, diz.

Concorda com ele a promotora de vendas Bruna Thaís Longo, 21 anos, que está cursando gestão de marketing na Faculdade Fênix com bolsa integral do ProUni. Irmã de Thiago, Bruna mora em Arealva e gasta cerca de R$ 100,00 por mês com transporte. “Eu terminei o ensino médio em 2002, mas mesmo trabalhando faltava dinheiro para a faculdade. Se minha bolsa fosse parcial, já não teria condições de continuar porque, além do transporte, tem xerox”, comenta.

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Número de bolsas oferecidas

• USC - 78

• Fênix - 140

• ITE - 155

• FIB - 50

• Iesb - 44

• Unip - 48

Saiba mais

• O que é ProUni Programa do governo federal que concede bolsas de estudo integrais e parciais em cursos de graduação em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos

• Critérios A bolsa integral é dada a quem tem renda familiar per capita não superior a 1,5 salário mínimo e a parcial é voltada para pessoas cuja renda per capita não exceda três salários mínimos

• A quem se destina A brasileiros que não tenham diploma de curso superior e que tenha participado do Enem. Também são considerados como critétrios as condições socio-econômicas do candidato à bolsa e o tempo de estudo em escola pública.

• Quantas vagas O ProUni iniciou o ano de 2005 abrindo 112 mil vagas para os estudantes de baixa renda em 1.135 instituições de ensino superior.

• Previsão A cada ano, as 54 universidades federais existentes no Brasil colocam 122 mil vagas à disposição nos vestibulares.

• Vantagem para as instituições A instituição que aderir ao ProUni fica isenta dos pagamento de Imposto de Renda e contribuições Social sobre o Lucro Líquido, Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social e Contribuição para o Programa de Integração Social no período de vigência do termo de adesão

Fonte: MEC

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Ajuda financeira

Os estudantes que fazem curso integral que mesmo com a bolsa de estudo do ProUni estão enfrentando dificuldade para manter-se na faculdade têm uma boa notícia. No mês passado o Ministério da Educação (MEC) anunciou que esses alunos receberão uma Bolsa Permanência no valor de R$ 300,00 para custear as despesas de transporte, alimentação e moradia.

A medida faz parte do conjunto de programas do Ministério da Educação para as Ações para Qualidade na Educação. De acordo com a assessoria de imprensa do Ministério da Educação (MEC), em três anos cerca de 12 mil alunos em todo País serão beneficiados com bolsa equivalente a um salário mínimo.

Da Redação