Lins - O interno da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem), Everton Almeida Campos, 20 anos, foi morto no final da tarde de anteontem durante uma briga que envolveu sete internos, na unidade de Rio Dourado, em Lins.
Quando os funcionários da segurança entraram no pátio ele já apresentava três perfurações no tórax, provocadas por golpes de naifa, um estilete feito com pedaços de peças e utensílios do próprio prédio.
Conduzido ao hospital da cidade, Campos morreu pouco depois das 23h. O interno Cristiano de Lima Jorge, 18 anos, recém-transferido de Marília, assumiu a responsabilidade pela agressão e foi levado para a cadeia pública de Cafelândia, distante 20 quilômetros de Lins. Ele deve responder por homicídio.
A Febem realizará sindicância para descobrir as causas do crime. A vítima tinha passagens pela instituição por dois homicídios e um roubo qualificado. De acordo com a assessoria de imprensa da Febem, Campos havia sido transferido da unidade de Iaras para Lins, depois de desentendimentos com os colegas do mesmo módulo.
Ainda segundo a assessoria, o fato da vítima estar internada na Febem mesmo sendo maior de idade tem uma explicação. Segundo informou, a pena máxima aplicada aos infratores é de três anos de internação. Nesse tempo, eles podem passar para medidas alternativas, como a semi-liberdade (quando o beneficiado sai durante o dia para estudar e trabalhar, mas retorna à noite para a Febem) e a liberdade assistida (fica livre, mas precisa passar por avaliações constantes).
Quando um menor começa a cumprir a pena com 17 anos, por exemplo, ele fica até o fim na Febem. Ou seja, não é tão incomum encontrar maiores de idade internados em uma instituição destinada a menores.
O infrator só é transferido para outro sistema prisional, como a penitenciária, quando comete algum crime já maior de idade dentro da Febem.