09 de julho de 2026
Bairros

Prefeitura vai sugerir 'ajuda da academia'

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 3 min

O secretário de Obras da prefeitura, Leandro Dias Joaquim, admitiu que, a exemplo da imensa maioria dos municípios do País, Bauru não possui qualquer programa de manutenção das obras de infra-estrutura da cidade. “Histórica e culturalmente, não existe uma política de manutenção na prefeitura de Bauru”, disse Joaquim.

O secretário garantiu, no entanto, que a nova administração já estaria “discutindo assunto”. Segundo Joaquim, o tema foi levantado a partir de dois eventos recentes. O primeiro, um acidente com vítima fatal no qual um jovem morreu após seu carro cair do viaduto João Simonetti.

“Muitas pessoas ligaram para a prefeitura pedindo reforço nas proteções. Isso nos obrigou a verificar o projeto original para saber se o guarda-corpo poderia ser substituído por uma espécie de ‘guard-rail’, ou algo mais robusto para suportar grandes impactos”, relata o secretário. “Acabamos descobrindo que a estrutura não suportaria, por exemplo, uma estrutura de proteção de concreto”, completa.

Uma outra situação que teria trazido o tema para discussão no âmbito da Secretaria de Obras foi o debate público que aconteceu no último dia 23 e que tratou das opções viáveis para resolver o problema da ponte Ayrton Senna, inaugurada em 2000 e interditada dois anos depois. “Surgiu naquele debate a teoria de que há obras que se parecem com uma criança excepcional, que sofre problemas na sua concepção e que carece de uma atenção especial”, conta.

Mas para implementar uma política de conservação, Joaquim admite que a Secretaria de Obras não teria estrutura nem profissionais em número suficiente para “bancar” um trabalho de levantamento das patologias que eventualmente afetem as principais obras da cidade.

O secretário afirma existirem apenas algumas ações pontuais com relação a este tipo de problema que foram provocadas por manifestações da sociedade. “Os ferroviários, por exemplo, apontaram problemas no viaduto da Pedro de Toledo sobre os trilhos. Sabemos que ele (viaduto) precisa de uma radiografia e de uma ação corretiva, mas não temos pessoal suficiente para atender tudo”, diz.

Para resolver esta situação, Joaquim vê como única saída pedir “ajuda à academia”. “Temos na cidade uma excelente faculdade de engenharia, ligada a uma instituição conceituada (Unesp) e nosso desejo é pedir ajuda a professores e alunos para fazer este levantamento”, adianta.

Neste caso, antecipa o secretário, a prefeitura alimentaria a universidade com todo tipo de informações necessárias, como local a ser investigado, idade da obra, histórico da construção e qual conceito utilizado para sua edificação. “Aí, os pesquisadores poderiam nos fornecer uma radiografia de cada caso”, espera. “O (prefeito) Tuga (Angerami) é da academia e já demonstrou que tem intenção de firmar parcerias com a universidade”, aposta.

Os professores de engenharia da Unesp-Bauru Cláudio Vidrih Ferreira e Adílson Renófio apóiam esta iniciativa. “Sempre que solicitada, a universidade deve apontar os caminhos. Temos documentado colapsos clássicos e estamos preocupados com o que está acontecendo à nossa volta”, diz Renófio. “Nós gostamos de fazer pesquisa, então devemos fazer pesquisas que contribuam para a melhoria na qualidade da construção civil. Devemos dar nossa contribuição como retorno da universidade para a sociedade”, reforça Vidrih.

Com relação à sempre complicada questão do financiamento das boas intenções, Joaquim garante que o assunto “manutenção de obras” já estaria, preliminarmente, contemplado no processo de elaboração do Plano Plurianual (PPA) do período 2006-2009. O PPA é um instrumento que traça as metas de investimentos do município para um período de quatro anos.

“Já colocamos (no PPA) algum tipo de ação de preservação, mas o que vai nortear (os investimentos) é a questão da urgência e emergência do que encontrarmos pela frente. O mais importante é termos o diagnóstico. O financiamento é o próximo passo”, acredita.