08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Impeachment ao preconceito


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O que me deixa preocupado em cartas como a do missivista Ivan Garcia Goffi (publicada em 7/7), não é sua revolta contra a corrupção e o pedido de um impeachment para o PT. Disso, toda uma nação está “novamente” de cabelos em pé, pois esse estado de coisas não é mais novidade nenhuma, muito menos privilégio petista. A corrupção é um câncer e deveria ser combatida sem tréguas; ontem, hoje e sempre.

Revolta contatar que o sr Ivan possui lembranças de PC Farias e nada cita do período FHC, onde tudo o que ocorreu não difere em nada do que presenciamos nesse delicado momento, vide os não tão divulgados R$ 200 mil para cada deputado quando daquela reeleição. O que faltou (e isso me intriga muito) foi a falta de interesse da chamada grande imprensa em escarafunchar os desmandos da época. Naquele momento, eles preferiram passar meio que batidos e agora, diante de algo semelhante, o alarme é acionado. Estranho, não?

Revolta ler nomes somente de petistas envolvidos em denúncias e nem uma simples menção em Eduardo Jorge, Sérgio Motta, Rose Neubauer, Arruda, Lalau, Barbalho, etc e etc. Tudo como dantes, envolvendo as tais tentativas de abafar as crises (lembra-se?). Sejamos sensatos, quem oculta ocorrências de pessoas por laços partidários não merece muita credibilidade. Prejulgar uns e isentar outros é descabido nesse momento, até porque corremos o risco daquela turma adentrar novamente o picadeiro. E o país não merece isso novamente. Vade retro, satanás!

Não gosto de me ater a coincidências, pois elas não passam disso. Gosto de me ater a algumas demonstrações explicitas de preconceitos nada velados. É revoltante notar a existência de pessoas defendendo que somente aos letrados é permitido postos de comando. Estivemos 500 anos nas mãos dos letrados e o resultado é o país atual, com essa corrupção enraizada. Termos como burro, semialfabetizado, sem cultura, quando utilizados repetidamente desqualificam quem os utiliza, pois demonstra insensatez, imparcialidade e o que é pior, preconceito.

Fujo de pessoas que pensam e agem assim, como o diabo foge da cruz, pois apesar de tudo, gosto muito dessa miscelânea tupiniquim, que passa longe de um pensamento ariano. Outra coisa, nessa terra não existem santos (todos o são do pau oco), pois como disse recentemente Lula, “todos nós somos contra a corrupção, mas somente a dos outros” e quando o assunto esbarra no nosso quintal, a saída pela tangente é imediata.

Ando tão decepcionado com Lula, como qualquer outro brasileiro, mas ouso demonstrar que o Brasil de hoje já é diferente dos tempos de FHC. Não vivemos mais de joelhos, nem de pires na mão e para constatar isso basta uma simples comparação nas estatísticas dos dois períodos. Já no quesito corrupção, a impunidade secular é que precisa mais do que nunca cair por terra.

Quem cometeu deslizes, que responda por seus atos, os atuais e os do passado. Já, aqueles que insistem em defender a morte de ex-presos políticos no exílio e a sensatez do regime militar, não ouso nem por brincadeira classificá-los de democratas. Lembro a esses, que no período militar nem o direito de escrever cartas como essas que escrevemos eram possíveis. Portanto, fazer política com o chapéu alheio é sempre muito mais fácil e cômodo. (Henrique Perazzi de Aquino - RG 9.710.205-2)