De olho no futuro a administração municipal de Bocaina investe na atualização do segmento. Além do apoio na tentativa de baixar custo, a municipalidade tenta levar aos empresários uma nova visão do mercado de couro. “Com a parceria do Sebrae estamos buscando alternativas para o couro. Aqui, a maioria dos coureiros trabalha no mesmo segmento, precisamos ter outras frentes, explica o prefeito de Bocaina, João Francisco Bertoncello Danieletto.
Ele diz que em Bocaina há várias indústrias de acabamento de couro e todas com o mesmo perfil. “Elas produzem equipamentos de proteção individual como luvas, aventais etc. O mercado sofreu uma queda este ano e o pessoal está apreensivo. Eles precisam conhecer novos mercados para não ficar nessa situação”.
De acordo com ele, aqueles que exportam estão tendo uma remuneração melhor porque os contratos são fechados em dólar. “Mas não são todos que estão fazendo exportação. O objetivo da prefeitura, através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico é criar alternativas de produção, buscar novos nichos de mercado.
O empresário do couro, Marcos Moretto acredita descobrir novos nichos de mercado é um estímulo para as empresas de Bocaina. “A gente pensa há muito tempo em trabalhar com a moda, mas ainda não conseguimos colocar em prática a idéia. Não é uma mudança que se faz do dia para noite.”
Na opinião dele, este tipo de evento serve para que o empresário acredite que isso pode acontecer. “Eu não lanço moda. Os curtumes de Curitiba, Nova Hamburgo criam e lançam no mercado. Eu aqui sou basicamente um prestador de serviço, eu faço acabamento. Em Bocaina não tem curtume.”
O empresário diz que pretende exportar. “Quem não gostaria de exportar? Eu gostaria, mas não sei se tenho estrutura, se tenho a tecnologia para a exportação, o sonho de exportação é do grande e do pequeno, eu me considero pequeno.”
Ele lembra que faz acabamento há dois anos e meio. “O nosso forte sempre foi camurça. Nunca pesquisamos se a camurça tem boa aceitação no exterior. Quando montamos a empresa visamos o mercado de Jaú, Franca, São Paulo, Brasil todo. Estou mais focado em Jaú, capital do calçado feminino.”
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Atualização em alta
Há 14 anos, Silvana Rodrigues Camanho comprou uma máquina de costurar luvas e começou o trabalho em sua própria casa. Atualmente, ela tem dez funcionários e já pensa em sair da garagem e ocupar um barracão. Ela é uma das terceirizadas que produzem de 10 a 12 mil pares de luvas por mês.
O ganho com a costura de luvas de raspa de couro é suficiente para que a costureira sustente sua família. “Cada máquina custa em média R$ 4 mil. Meu ganho varia conforme a época. Na "safra" consigo ganhar até nove salários mínimos. Na entressafra, de dois a três.”
A profissão foi uma escolha de Silvana. “Na época eu tive que escolher entre ser doméstica ou costurar luvas. Optei pela segunda e não me arrependi. Comecei aqui em casa, onde ainda estou, mas no final do ano quero sair. Pretendo construir um barracão, porque aqui ficou pequeno.”
Acostumada a vencer desafios, ela diz que se os empresários do couro optarem por outro tipo de confecção, "vai encarar.” "Eu sou costureira e adoro desafios. Se eles optarem por criar outras peças, vou encarar. Desse segmento não saio.”
Para ela, o segredo de qualquer costura é o capricho. “Eu oriento todas as funcionários e faço o controle da qualidade. As luvas exigem costuras nas beiradas que eliminam os cortes.”
A costureira diz que nesse mercado é importante estar sempre atualizada. “Faço todos os cursos de atualização. Não posso ficar para trás.”