09 de julho de 2026
Economia & Negócios

‘Cidade tem de recuperar auto-estima’

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

A pesquisa realizada pela Fundação Getulio Vargas (FGV), a pedido da revista Você S.A., revela em quais municípios o profissional teria mais condições de se desenvolver bem. Tanto é que não leva em consideração número de empresas nem setores da economia que se destacam em cada área.

Com base nos dados, o diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), regional Bauru, Ricardo Coube, destaca que a cidade possui um grande potencial enrustido na sua falta de auto-estima e de marketing fraco. “A gente já tem noção dessa capacidade de atração que a cidade possui. Falta apenas um empurrão para chamar a atenção e se desenvolver para valer”, salienta.

De acordo com ele, o forte do mercado de trabalho em Bauru está justamente na sua qualidade heterogênea. “Qualquer tipo de profissional que vem atuar na cidade encontra seu espaço, seja qual for a sua especialidade”, ressalta.

A gama de cursos universitários funciona como chamariz para futuros profissionais, que detectam no município a oportunidade que necessitam para iniciar sua carreira e até firmá-la.

Coube salienta que o mal de Bauru é a falta de confiança dos moradores no potencial da cidade. “Tem município que não tem capacidade, mas se considera o melhor. Bauru tem tudo para ser uma grande cidade, mas falta auto-estima desenvolvida, falta uma melhor conceituação por parte dos próprios moradores”, destaca o empresário.

Ele frisa que, além do emprego propriamente dito, quem vem de fora encontra uma ampla rede de serviços de qualidade nas áreas de educação, saúde e transporte, principalmente aogra, que a cidade está prestes a contar com um novo aeroporto. “Qualquer negócio por aqui tem boa receptividade”, ressalta.

Uma vida em Bauru

A ortodontista Lívia Maria Andrade de Freitas Uchiyama é um exemplo de profissional que encontrou em Bauru a oportunidade para se desenvolver na carreira.

Baiana de Salvador, ela mudou para cá em 1992, ainda cursando o ensino médio. Terminou o terceiro ano, prestou vestibular na Universidade de São Paulo (USP) e foi aprovada. “Minha irmã fazia mestrado aqui e me apoiou na mudança. Eu sempre quis fazer odontologia e a USP de Bauru tem uma enorme conceituação na Bahia”, conta.

Em busca de uma formação de qualidade, ela se instalou na cidade e formou-se dentista. Visando a melhor qualificação profissional, Lívia investiu nos estudos e passou no mestrado em ortodontia na própria universidade, depois de três anos de preparação.

“Nessa época, eu casei e tive uma filha. Assim, acabei adotando a cidade”, destaca.

Ainda de olho em sua formação, Lívia está se preparando agora para o doutorado, que também deverá ser feito na USP de Bauru. “A prova é segunda-feira (amanhã) e eu estou entregue aos livros”, brinca.

A família dela está toda em Salvador e a ortodontista viaja sempre para a capital baiana. A idéia é voltar para lá assim que terminar os estudos. No entanto, ela não esconde a preferência por Bauru no que diz respeito ao mercado de trabalho. “A cidade tem profissionais muito bem qualificados. Isso compromete a concorrência, mas é uma vantagem para a cidade”, salienta.

Segundo ela, Salvador, que é capital de Estado, não tem qualificação profissional como a de Bauru. “Você nota a deficiência na formação dos profissionais. Basta precisar de um serviço ou freqüentar o comércio. Lá é bem mais precário”, salienta.